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Educação, respeito e a urgência de superarmos a política do ódio
A colunista Alessandra Moulin analisa por que liberdade de expressão não é licença para o desrespeito.
16/12/2025 12h34 Atualizada há 9 meses
Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula
cantor Zezé Di Camargo

Quando falamos em educação, muitas vezes pensamos apenas em escola, currículo, professores ou métodos de ensino. Mas educação é, antes de tudo, um processo de formação humana.

O modo como aprendemos a ver o outro, a dialogar, a compreender diferenças e, principalmente, a conviver com elas.

É justamente por isso que episódios como o recente ataque verbal de Zezé Di Camargo às herdeiras do SBT ultrapassam o campo do mero entretenimento e opinião e invadem diretamente o campo da educação e do exemplo social.

O sertanejo, que é pai de mulheres, dirigiu termos ofensivos às filhas de Silvio Santos após discordar da presença de autoridades políticas no evento de lançamento do SBT News.

Mas aqui está o ponto: não se tratava de um comício, nem de um palanque partidário.

Era a inauguração de um canal de jornalismo, um espaço que naturalmente reúne representantes de diferentes poderes e partidos porque a função do jornalismo é justamente informar sobre a pluralidade do país.

Ao ridicularizar mulheres em público, por discordância política, o cantor dá um exemplo que vai muito além da política: ensina que, diante do incômodo, vale atacar, desrespeitar e reduzir o outro (especialmente mulheres) a caricaturas. E isso não é liberdade de expressão; isso é descuido ético, é ferir honra e integridade.

Liberdade de expressão existe para sustentar o debate de ideias, não para legitimar agressões pessoais.

Daniela Beyruti, presidente do SBT

Nesse sentido, a carta aberta publicada por Daniela Beyruti, presidente do SBT, foi madura, serena e necessária.

Ela reforçou que o projeto do SBT News busca justamente o equilíbrio: entregar jornalismo confiável, sem viés partidário, sem alimentar ódio e sem se curvar a pressões políticas.

E lembrou algo essencial: o evento reuniu políticos de diversas linhas, inclusive figuras que possivelmente concorrerão entre si nas próximas eleições.

Ou seja, não havia exclusividade ideológica; havia pluralidade. Havia democracia.

Mas o que tudo isso tem a ver com educação? Absolutamente tudo!

Educar não é só ensinar conteúdos. É ensinar autocontrole, responsabilidade nas palavras, consideração pelo impacto das próprias ações. É ensinar que opiniões podem (e devem) existir, mas precisam vir acompanhadas de respeito.

Quando adultos se comportam como crianças pequenas, recusando-se a dividir espaços com quem pensa diferente, estamos diante de um retrocesso emocional.

Birra, afinal, é um comportamento típico de uma mente cujo córtex pré-frontal ainda está em formação. Em adultos, é falta de maturidade democrática.

E é preocupante quando figuras públicas, por sua notoriedade, utilizam sua voz para amplificar intolerância. Pessoas com alcance nacional carregam consigo a responsabilidade de pensar antes de falar, justamente porque influenciam milhões que, muitas vezes, absorvem discursos sem reflexão crítica.

Pais educam pelo exemplo. Famílias educam pelo tom das conversas. A sociedade se educa pelo modo como reagimos a conflitos. Por isso, vale a reflexão: como as filhas de Zezé receberam a forma como ele tratou outras mulheres?

E como pais e filhos, em geral, aprendem a lidar com tensões políticas quando seus modelos adultos usam ataques como instrumento?

Se queremos mesmo superar a polarização, precisamos reaprender a conversar. A debater sem destruir. A discordar sem desumanizar. A defender nossos ideais com firmeza, mas também com ética e valores. A educação que queremos ver nas escolas começa em casa e continua nas ruas, na internet, nos discursos e nos exemplos.

Não precisamos concordar uns com os outros. Mas precisamos, com urgência, reaprender a respeitar.

Este é um convite para pais, filhos e cidadãos: conversem sobre a cultura do ódio. Questionem comportamentos, inclusive os próprios. Cultivem tolerância. O Brasil não precisa ser uniforme - só precisa ser mais adulto.

 

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A republicação é gratuita desde que citada a fonte. Citação formato ABNT: SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].