Projeto cultural na Penitenciária Feminina do DF promove oficinas para internas

Aulas de consciência corporal e autocuidado ajudam mulheres privadas de liberdade a reduzir ansiedade, melhorar postura e fortalecer vínculos.

Por: Redação
11/12/2025 às 06h00
crédito foto: Elise Milani

Um projeto cultural voltado ao corpo e ao autocuidado tem provocado mudanças emocionais e comportamentais entre mulheres privadas de liberdade na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

Após 15 semanas de oficinas de dança, respiração e percepção corporal, psicólogas e participantes relatam transformações visíveis no bem-estar e na rotina das internas.

O “CorpoConsciente – Escuta de Si”, realizado com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), foi conduzido pelas psicólogas Clara Costa e Thaís Germano.

As atividades aconteceram durante quinze sextas-feiras, com duração de duas horas, onde as internas do sistema prisional puderam participar de oficinas de danças, caminhadas em diferentes ritmos, exercícios de automassagem, movimentos livres ao som de música e dinâmicas voltadas à percepção do corpo.

A adesão ao projeto foi imediata, algo incomum em atividades terapêuticas dentro e fora do sistema prisional, segundo as psicólogas.

“Já nos primeiros encontros, as mulheres em privação de liberdade começaram a participar com entusiasmo”, de acordo com Clara Costa.

Ao final do ciclo, muitas delas apresentavam mudanças claras na postura: ombros mais relaxados, peito aberto e expressões faciais mais leves.

crédito foto: Elise Milani

 

Transformações no bem-estar e na rotina das internas

As psicólogas afirmam que as técnicas ensinadas ultrapassaram o espaço das oficinas e passaram a ser usadas no cotidiano das celas.

“Em situações de ansiedade, insônia ou conflitos internos, as internas nos relataram que recorreram a exercícios de respiração, automassagem”, continua Thaís Germano. “Esse foi um dos sinais mais fortes de que o projeto conseguiu despertar consciência corporal e autonomia emocional.”

As atividades semanais também se tornaram um momento de alegria, especialmente quando envolviam música e dança, práticas restritas no ambiente prisional.

“As internas pediam que nós levássemos canções específicas e celebravam os dias em que havia ritmos como funk”, descreve Thaís.

crédito foto: Elise Milani

Encerramento e reconhecimento das participantes

No encerramento, o impacto afetivo da experiência ficou ainda mais evidente. As participantes entregaram cartas de agradecimento às psicólogas e compuseram uma música sobre o processo, citando pelo nome as profissionais e as técnicas aprendidas.

Uma das internas coreografou e apresentou uma dança ao som de “Dona de Mim”, de Iza, como forma de homenagear o grupo.

Para Thaís, que trabalha com psicoterapia corporal, os efeitos mais profundos ultrapassam o campo do bem-estar imediato. Ela acredita que vivências como essas fortalecem a capacidade de vínculo, consigo mesmas e com o outro, algo essencial para mulheres que enfrentam traumas tanto anteriores quanto decorrentes da própria realidade prisional.

“Quando o corpo encontra espaço para respirar e se conectar, aumenta a chance de elas construírem novos caminhos quando deixarem o sistema”, afirma.

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