A culpa perdeu o voo

A colunista Marina Marquez reflete sobre a culpa que muitas mães sentem ao se afastarem dos filhos e como é possível equilibrar amor, trabalho e liberdade sem carregar esse peso.

Por: Marina Marquez | coluna De Mãe para Mãe
12/11/2025 às 06h00 Atualizada em 18/12/2025 às 12h04
Marina Marquez  - colunista Lead

Imagine a cena: você viaja sem seu filho (a) a trabalho. A pessoa que ficou cuidando da criança, na manhã seguinte, conta que não foi uma noite fácil. A criança chorou, acordou de madrugada, pediu por você. Perguntou pela mãe várias vezes.

Vem um sentimento avassalador que tira você completamente do prumo.

Não precisa ser uma grande viagem a trabalho. Talvez você nem tenha o costume de viajar. Pode ser só uma tarde com as amigas, uma visita a um parente doente que mora distante, um dia comprido resolvendo coisas.


Tenho certeza de que você conhece esse sentimento: culpa. Culpa demais.

Não interessa o motivo; aquilo que nos afasta dos nossos, em algum momento, nos traz culpa. E a culpa é a maior inimiga da leveza. Porque nos faz questionar decisões, duvidar da felicidade que sentimos, nos pega num lugar difícil de lidar.

Quando a ausência também ensina

Coincidentemente ou não, dias depois de uma amiga lidar com a culpa por viajar a trabalho e a filha viver exatamente esse roteiro, a internet me presenteou com um texto da incrível Ruth Manus (leia o texto completo ao final dessa coluna).

Ela saía para uma viagem de alguns dias a trabalho e o filho disse: “Mamãe, eu não gosto quando você viaja”.

E ela descreve maravilhosamente o que está sempre na ponta da língua de qualquer mãe na mesma situação. O tal do “eu não queria, mas eu tenho que ir”.

Que atire a primeira pedra quem nunca fez isso. Demonizou o próprio trabalho para que os filhos entendessem que estamos indo, mas à força, não por vontade.

Quando o querer também é válido

Mas e quando queremos? Quando escolhemos também ser a mãe que trabalha e viaja, a mãe que sonha com as realizações, com o lazer, com a liberdade de ser também além de mãe?

Quando nossos filhos são nossa única fonte de alegria, esse fardo se torna pesado demais para eles conforme os anos passam. Cabe sonhar, trabalhar, realizar, viver - e ainda assim ser a melhor mãe do mundo quando voltamos para os braços deles.

E, para repetir o que eu disse à minha amiga, no auge da angústia dela: nossos filhos precisam de uma mãe maravilhosa e cheia de facetas para se inspirarem.

Leia abaixo a postagem da Ruth Manus:

instagram da Ruth Manus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Karina Reis Limoes Há 11 meses MGdesculpa o desabafo aqui, mas falo muito desse tema com a minha psicóloga. Não é fácil pra nós mães. Mas o texto deu uma luz, é seguir em frente. Precisamos ter o nosso momento
Cristiana Há 11 meses RJ CentroNão é fácil a decisão , mas é possível. Além de mãe temos vida e querer
Clara Há 11 meses Asa NorteVivo este dilema. Não sei o que fazer. Difícil!
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Marina Marquez
Marina Marquez
Jornalista, escritora, empresária e mãe de dois. Com mais de 18 anos de trajetória na comunicação, escreve sobre maternidade, rotina, afetos e os desafios da mulher real. Em sua coluna “De mãe para mãe”, compartilha reflexões sobre os encontros e desencontros da maternidade e da vida — sempre com sensibilidade, coragem e um toque de leveza. Acredita que contar histórias é também uma forma de cuidar.
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