A cada dia, 60 homens perdem a vida no Brasil vítimas do câncer de próstata, uma doença que poderia ter altos índices de cura se fosse diagnosticada a tempo.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 é de 71.730 novos casos de câncer de próstata no Brasil, o que representa 30% de todos os diagnósticos de câncer na população masculina.
Mesmo com campanhas anuais de conscientização, como o Novembro Azul, o preconceito e a resistência aos exames preventivos ainda são barreiras que custam vidas.
Especialistas reforçam que informação, diálogo e prevenção são as armas mais eficazes contra esse tipo de câncer, o mais comum entre os homens brasileiros depois do de pele não melanoma.
O oncologista Márcio Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), explica que a negligência com os exames de rastreamento ainda custa caro.
“Muitos pacientes chegam ao consultório quando o tumor já está avançado, porque tiveram medo ou vergonha de procurar ajuda antes. O problema é que o câncer de próstata, no início, quase nunca dá sintomas. E é justamente nessa fase que ele é mais fácil de tratar e tem índices de cura que ultrapassam 90%”, afirma o médico.
O médico ressalta ainda que mais de 20% dos casos são diagnosticados apenas em estágios avançados, quando o tumor já se espalhou para outros órgãos e o tratamento se torna mais complexo e menos eficaz.
Os principais exames de rastreamento são o toque retal e a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico). Apesar da resistência de parte da população masculina, o especialista é categórico: o toque é simples, rápido e pode ser decisivo.
“O toque retal dura menos de dez segundos e pode identificar nódulos que não aparecem no exame de sangue. É um procedimento preventivo, não um tabu. O preconceito precisa ser superado com informação”, alerta.
O INCA recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com seus médicos sobre a necessidade dos exames preventivos.
Para aqueles com histórico familiar da doença (pai, irmão ou filho diagnosticado antes dos 60 anos) ou com descendência negra, grupo que apresenta maior predisposição genética, o rastreamento deve começar aos 45 anos.
Os sintomas do câncer de próstata costumam surgir apenas em fases mais avançadas.
Por isso, estar atento a alterações sutis pode fazer diferença:
. Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
. Dificuldade para urinar ou interromper o jato de urina;
. Necessidade de fazer força para urinar;
. Dor na parte inferior das costas ou na pelve;
. Sangue na urina ou no sêmen (mais raro);
. Dificuldade para manter ereção;
. Dor durante a ejaculação.
Embora menos prevalentes, os cânceres de pênis e testículo também merecem destaque neste mês de conscientização.
O câncer de pênis, responsável por cerca de 2% dos casos entre homens brasileiros, é mais comum a partir dos 50 anos e está fortemente associado à má higiene íntima e à infecção pelo HPV.