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Viajar ou morar: entenda os fusos nos EUA
A colunista Naiane Carvalho explica como funcionam os fusos e as mudanças de horário nos Estados Unidos, um país onde o tempo parece nunca ser o mesmo.
07/11/2025 06h00 Atualizada há 8 meses
Por: Naiane Carvalho | coluna E aí, América?
tempo nos EUA

Viver nos Estados Unidos é, de certa forma, conviver com a sensação de que o relógio nunca é o mesmo.

O país tem múltiplos fusos horários, uma extensão territorial continental e ainda adota o sistema de mudança de hora, o chamado Daylight Saving Time (horário de verão) e o Standard Time (horário de inverno).

Para quem vem de um país tropical como o Brasil entender como funciona a marcação do tempo nos EUA é essencial para não se perder entre compromissos, reuniões e até voos. 

Seis fusos, um país imenso

Os Estados Unidos são tão extensos que o sol nasce e se põe em horários completamente diferentes de costa a costa. Segundo o Departamento de Transportes dos Estados Unidos (U.S. Department of Transportation), o território americano é oficialmente dividido em seis fusos horários principais:

• Eastern Time (ET) — Leste, onde estão Nova York, Miami e Tampa;

• Central Time (CT) — Centro, que inclui Chicago, Dallas e Houston;

• Mountain Time (MT) — região das Montanhas Rochosas, como Denver e Phoenix;

• Pacific Time (PT) — Costa Oeste, com Los Angeles e Seattle;

• Alaska Time (AKT) — que cobre o estado do Alasca;

• Hawaii-Aleutian Time (HAT) — para o Havaí e ilhas do Pacífico.

Essa divisão foi oficializada para padronizar os horários de transporte e comunicação, principalmente com o crescimento das ferrovias no século XIX. Antes disso, cada cidade regulava o próprio relógio conforme o nascer e o pôr do sol.

Hoje, a diferença pode chegar a cinco horas entre a Flórida e o Havaí, e isso antes mesmo de entrar em cena o polêmico horário de verão.

Por que existe o horário de verão?

ilustração 

A ideia de adiantar o relógio surgiu de forma curiosa: em 1784, Benjamin Franklin sugeriu, de maneira irônica, que as pessoas acordassem mais cedo para “economizar velas”.

A proposta só se tornaria realidade mais de um século depois, durante a Primeira Guerra Mundial, quando o governo americano instituiu o Daylight Saving Time pelo Standard Time Act de 1918, com o objetivo de reduzir o consumo de energia elétrica e aproveitar melhor a luz natural do dia.

O sistema passou por diversas mudanças, mas a base continua a mesma:

Em março, os relógios são adiantados uma hora (“spring forward”) — começa o horário de verão.

Em novembro, os relógios são atrasados uma hora (“fall back”) — volta-se ao chamado horário padrão, ou “de inverno”.

Atualmente, as regras são definidas pela Uniform Time Act de 1966, e as datas são padronizadas: o horário de verão inicia no segundo domingo de março e termina no primeiro domingo de novembro.

Horário de inverno: o “normal” americano

Nos meses frios, o país retorna ao Standard Time, o horário normal sem o adiantamento. O termo “horário de inverno” é apenas informal, não há uma legislação específica com esse nome.

Alguns estados, porém, decidiram não participar da mudança. É o caso do Havaí e da maior parte do Arizona, que permanecem no horário padrão o ano todo. Também estão fora da regra territórios como Porto Rico, Guam e Ilhas Virgens Americanas.

Debate atual: vale a pena mudar o relógio?

O tema divide opiniões. Segundo o portal Time.com, diversos estudos mostram que a economia de energia com o Daylight Saving Time é hoje mínima, ou até inexistente.

Por outro lado, as consequências para a saúde são reais: a American Academy of Sleep Medicine afirma que o ajuste repentino causa distúrbios do sono, fadiga e aumento de acidentes de trânsito na primeira semana após a mudança.

Em 2022, o Senado americano chegou a aprovar o Sunshine Protection Act, que buscava tornar o horário de verão permanente em todo o país, mas o projeto ainda não avançou na Câmara dos Representantes.

De acordo com pesquisa citada pelo New York Post, mais de 50% dos americanos desejam acabar com as mudanças de hora e adotar um sistema fixo. Ainda assim, até que o Congresso decida, a rotina de adiantar e atrasar os ponteiros continua.

Duas realidades, um mesmo desafio

Enquanto no Brasil o relógio permanece firme, nos Estados Unidos o tempo literalmente “anda” para frente e para trás. O sistema, embora histórico, reflete um desafio moderno: conciliar praticidade, economia e bem-estar.

Para brasileiros que vivem nos EUA, entender os fusos e o calendário do Daylight Saving Time é quase uma questão de sobrevivência, afinal, um compromisso marcado às 9h em Nova York pode significar 6h da manhã em Los Angeles.

No fim das contas, o tempo é o mesmo, mas cada país escolhe como viver suas horas.

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