A operação realizada na última terça-feira (28) em diversos bairros do Rio de Janeiro, incluindo os complexos da Penha e do Alemão, mobilizou cerca de 2,5 mil policiais e resultou em pelo menos 121 mortes, incluindo quatro policiai, interrompendo o trânsito, fechando escolas, postos de saúde e comércios.
Segundo o governo estadual, foram realizadas 113 prisões e apreendidos 91 fuzis, além de pistolas e granadas, números que colocam a ação entre as maiores da última década.
Moradores das regiões atingidas passaram horas sob intenso tiroteio e explosões, enquanto a circulação de pessoas, mercadorias e serviços ficou severamente comprometida.
O deslocamento de grande efetivo policial e a interrupção de vias principais, como a Linha Vermelha e a Avenida Brasil, provocaram um verdadeiro “nó” urbano na região metropolitana.
Para especialistas, a operação gerou um grande impacto na capital fluminense e não atingiu o objetivo de conter o crime organizado, pelo contrário, ações como esta apenas fortalecem a violência.
O professor José Cláudio Souza Alves, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), faz um alerta.
“Essa lógica de medir força armada bélica com estruturas do tráfico sempre resultou em mortes cada vez maiores, em sofrimento intenso, perda de acesso a serviços públicos, perda de mobilidade urbana. Os mais frágeis sempre vão sofrer muito mais.”
Segundo ele, enfrentar o crime exige outra abordagem.
“Criar novas formas de interceptar, investigar, seguir dinheiro, prender pessoas, colocar limitações nesse funcionamento e oferecer alternativas reais para a população. Se não pensarmos isso, a gente está absolutamente comprometido.”
O professor ainda acrescenta críticas à operação.
“Isso que vocês estão vendo hoje, arrebentando no Rio de Janeiro, é apenas uma imensa e gigantesca cortina de fumaça, cegando a todos.”
A professora Jacqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), classificou a ação como uma “lambança político-operacional”.
“Para acionar 2,5 mil policiais, seria necessário mobilizar entre 7,5 mil e 10 mil, devido aos turnos de trabalho. Isso quer dizer que teve que se retirar o policiamento de 3 a 5 milhões de pessoas na região metropolitana.”
Ela reforça que a operação não atingiu seus objetivos.
“Esquentou a chapa numa área crítica, não reduziu a capacidade operacional do crime, e resultou em mortes e ferimentos sem representar avanço sobre o crime organizado.”
Sobre o caráter político da operação, Muniz ainda afirma que a operação foi política.
“A finalidade dela foi politiqueira, pondo em risco a vida de agentes da lei e da população, com resultados que não se sustentam diante da doutrina de operações policiais. Polícia não é amadorismo, a polícia é profissão.”