Argentina vai às urnas em eleição decisiva para o governo Milei

Pleito legislativo de meio de mandato renova parte do Congresso e definirá a força política do presidente para aprovar reformas econômicas

Por: Redação
26/10/2025 às 09h28 Atualizada em 27/10/2025 às 09h18
Centro de Buenos Aires

Os argentinos voltam às urnas neste domingo (26) para uma das eleições mais importantes desde a posse de Javier Milei, há menos de um ano.

O país realiza o chamado pleito legislativo de meio de mandato, que renovará parte do Congresso e servirá como um teste de força política para o presidente.

Serão escolhidos 127 dos 257 deputados e 24 dos 72 senadores do Congresso Nacional. Embora não envolva a presidência, a eleição é vista como um termômetro fundamental para medir o apoio popular a Milei e à sua agenda econômica liberal, marcada por cortes de gastos, privatizações e redução da presença do Estado.

Com um Congresso fragmentado desde o início do mandato, o presidente precisa ampliar sua base parlamentar para conseguir aprovar reformas estruturais, consideradas por ele essenciais para estabilizar a economia argentina, que ainda enfrenta inflação alta e perda do poder de compra.

Quem vota

O voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos. Cerca de 35 milhões de argentinos estão aptos a votar. O pleito ocorre em todas as províncias e na Cidade Autônoma de Buenos Aires, com seções eleitorais abertas das 8h às 18h.

Os principais concorrentes

O partido La Libertad Avanza (LLA), de Milei, tenta ampliar sua bancada tanto na Câmara quanto no Senado. A legenda disputa espaço com a Unión por la Patria, de orientação peronista e principal força de oposição, e com a coalizão Juntos por el Cambio, de centro-direita.

Pesquisas recentes indicam que a LLA pode crescer nas regiões centrais do país, mas ainda enfrenta resistência em províncias do interior e em Buenos Aires, onde os peronistas mantêm forte influência.

O que está em jogo para Milei

Javier Milei

O resultado deste domingo é visto como determinante para o futuro político de Javier Milei. Uma vitória expressiva daria ao presidente condições de avançar com seu pacote de reformas - conhecido como “Lei Ônibus”, que inclui desde mudanças trabalhistas até cortes em subsídios públicos.

Já um revés nas urnas pode enfraquecer o governo e obrigar Milei a negociar mais intensamente com a oposição, comprometendo parte de sua agenda liberal.

Para analistas políticos, o pleito funciona como uma espécie de “referendo” sobre os primeiros meses de governo. O economista e presidente aposta na popularidade de seu discurso anticasta e no apoio de setores que acreditam que suas medidas duras são necessárias para “corrigir décadas de desequilíbrio fiscal”.

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