
O último dia do ExpoJud 2025, realizado em Brasília (DF) entre 14 e 16 de outubro, promoveu uma discussão estratégica sobre os desafios tecnológicos que devem marcar o cenário da segurança da informação nos próximos anos. O painel “Leaders Talks TI: Desafios Tecnológicos de Segurança para 2026” reuniu especialistas da área para discutir medidas urgentes e estruturais para a proteção de dados e sistemas no Judiciário. A mediação foi conduzida por Daniel Tupinambá, da Deloitte.
Para Charles Fernando Alves, secretário de tecnologia da informação do Conselho da Justiça Federal (CJF), o comprometimento da alta gestão é o ponto de partida para qualquer política de segurança eficaz. Ele alertou que, sem investimento no preparo das equipes, o fator humano continuará sendo uma vulnerabilidade séria:
“Se as pessoas não forem treinadas, capacitadas, elas se tornam vulneráveis”, explicou o especialista.
Ricardo Torres Hermann, desembargador, coordenador do Comitê de Governança de Segurança da Informação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), defendeu a separação entre as áreas de tecnologia da informação e segurança cibernética, apontando que a vinculação direta da segurança à presidência dos tribunais fortalece a autonomia e a autoridade das ações preventivas:
“A área tem que estar vinculada a quem dá as ordens. Esse é um dos maiores legados a se deixar”, ressaltou.
Em sua fala, o coordenador de segurança da informação e proteção de dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Edivaldo Antônio Sartor ,destacou os conflitos de interesse que ainda existem entre operação e fiscalização dentro das estruturas de TI e defendeu que a área de segurança assuma também um papel regulador:
“Não se trata de cercear a inovação, mas de sustentar controles. Estamos cumprindo a função de proteger a instituição. Como estamos dentro de um órgão com uma característica de troca de informações, a área precisa ter um pouco de poder de polícia também”, destacou.
O painel reforçou que, para 2026, os desafios da segurança vão muito além das ferramentas tecnológicas, exigindo liderança, cultura organizacional sólida e capacitação contínua.
Fechando o evento, os professores e cofundadores da GZero, Dante Freitas e Renan Hannouche, conduziram uma palestra provocadora sobre o papel do ser humano diante das tecnologias exponenciais. Dante introduziu quatro tipos de “quocientes” (intrapessoal, interpessoal, intracoletivo e intercoletivo), como formas de medir o impacto individual e coletivo na construção de soluções diante da complexidade atual.
“Estamos num momento em que precisamos da força de todos. Deem um jeito de se transformarem onde estão.”
Renan propôs uma reflexão profunda sobre valores, medo de julgamento e a capacidade de imaginar futuros mais justos e humanos e nos convida a refletir sobre a forma como imaginamos o futuro, muda nossas ações no presente.
Convidando a plateia a refletir, Renan Hannouche fez uma crítica à inovação no judiciário. Apesar de 99% dos processos já estarem digitalizados, ele alertou que essa transformação não tem sido harmônica nem eficaz. “Tudo ainda está tão lento que os mais jovens vão herdar processos”, afirmou.
O especialista destacou que há cerca de 75 milhões de processos travados e que a percepção pública é alarmante: 6 em cada 10 brasileiros não confiam na Justiça e 77% a consideram cara ou inacessível.
A palestra final do ExpoJud 2025 foi um convite à transformação coletiva. Segundo os especialistas, a evolução tecnológica só fará sentido se for acompanhada por uma evolução na consciência e na colaboração.