O segundo dia do ExpoJud 2025 consolidou o protagonismo da inovação tecnológica como eixo estruturante para um judiciário mais eficiente, seguro e acessível.
Com debates distribuídos em diversos palcos do evento, os painéis reuniram autoridades do ecossistema de Justiça, representantes do legislativo e lideranças do setor de tecnologia, que destacaram os avanços da digitalização, o uso responsável da inteligência artificial e a urgência da cibersegurança como prioridade institucional.
Uma das primeiras palestras do dia ficou por conta do ministro Afrânio Vilela, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que tratou do “Judiciário Digital: Inovação e Eficiência na Sociedade Futura”.
O ministro compartilhou sua trajetória na justiça brasileira e relembrou marcos importantes da transformação digital, como a digitalização de processos, a adoção da IA no julgamento de casos repetitivos e a recente implementação do sistema STJ Logos.
“O STJ utiliza a IA para a triagem de matérias repetitivas, agrupamento de recursos e análise de admissibilidade, mas a decisão ainda é humana”, afirmou Vilela.
No painel “CEO Talks: Perspectivas para 2026”, a ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), destacou que inovação e segurança da informação precisam caminhar juntas.
“Já utilizamos soluções de Inteligência Artificial há mais de cinco anos, tanto em processos internos quanto no uso de provas digitais. O próximo passo é crescer com segurança, rastreabilidade e transparência”, disse.
Ela defendeu a importância de sistemas nativos e dados sob controle humano como forma de preservar a integridade das decisões judiciais.
O presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Luiz Carlos Corrêa Junior, compartilhou a experiência de implementação do Eproc no tribunal e reforçou o compromisso com um modelo de governança unificado.
“O desafio agora é expandir a estrutura com isonomia e padronização entre os tribunais”, afirmou.
Já representantes de empresas de tecnologia, como Microsoft, Google Cloud e Cisco, destacaram a necessidade de alinhar o desenvolvimento de soluções à cultura de segurança digital.
“Estamos em uma fase decisiva para estabelecer critérios de uso ético e seguro da IA no setor público”, disse Alessandro Jannuzzi, VP de Engenharia da Microsoft.
O debate em torno da cibersegurança também ganhou destaque com o painel sobre o novo Marco Legal da Cibersegurança (PL 4752/2025), que contou com os senadores Sérgio Moro, Esperidião Amin, Jorge Seif e o conselheiro do CNMP Fernando Comin.
“Nenhuma instituição está protegida se agir sozinha. A inteligência e as informações são produzidas em conjunto”, defendeu Moro. “Nunca fizemos uma lei dessa natureza. Vamos todos aprender”, completou Esperidião Amin.
O painel evidenciou o esforço conjunto entre legislativo, judiciário e setor privado para criar uma infraestrutura de proteção digital robusta, com diretrizes claras e ações coordenadas.
O ExpoJud 2025 segue até 16 de outubro no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Consolidado como o maior congresso de inovação, direito e tecnologia do país, o evento conta com mais de 200 palestrantes, cinco palcos temáticos e 130 estandes de instituições públicas e empresas que lideram a transformação digital da Justiça brasileira.