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Ao caminhar pelas ruas de Buenos Aires, algo me chama muito atenção: a presença vibrante dos senhores e senhoras acima dos 80 anos.
São eles que, com passos firmes e olhar atento, atravessam calçadas irregulares, enfrentam a falta de rampas e se deslocam com uma energia que desafia o tempo.
Sempre que saio fico reparondo a energia desses jovens.
Buenos Aires, com suas ruas arborizadas, flores, praças charmosas, cidade limpa e cheia de vida, parece feita para ser explorada a pé; e eles fazem isso com uma naturalidade admirável.
Eles pegam ônibus, sobem as escadas, passeam com os cachorros, fazem esporte, compram o jornal ou apenas aproveitam a cidade com uma liberdade inspiradora.
Tudo isso mesmo enfrentando os desafios da falta de acessibilidade que a cidade ainda apresenta.
Fazendo uma pesquisa pelo portal da Direção Geral de Estatística e Censos da Cidade, em Buenos Aires, cerca de 3,5% da população tem mais de 80 anos, refletindo o envelhecimento acentuado da capital argentina (mais de um milhão de 80+).
Muitos vivem de aposentadorias que giram em torno de ARS 396 mil pesos mensais (cerca de R$ 2.400), segundo último levantamento do governo argentino.
Embora alguns tenham acesso a planos de saúde públicos, o gasto médio com medicamentos pode consumir até 20% da renda mensal, evidenciando o desafio financeiro enfrentado por grande parte dos idosos na cidade.
Observar essa autonomia me faz refletir sobre a importância de valorizar e reconhecer a presença desses homens e dessas mulheres experientes na cidade.
Eles nos ensinam, com passos firmes e sorrisos tranquilos, que idade não define limites e que a alegria de viver continua a pulsar a cada esquina.
Portanto, da próxima vez que caminhar por Buenos Aires, olhe ao redor.
Você verá que a cidade é vibrante não apenas pela juventude, mas também pela energia e vitalidade de pessoas que são verdadeiros mestres da liberdade e da independência.