Com muitas atrações turísticas, Santiago tem atraído brasileiros com a facilidade de voos diretos e bom custo-benefício. A cidade é muito organizada e moderna, além de contar com ótimos restaurantes. Como o Mestizo, com sua gastronomia moderna e vista incrível do parque Bicentenário.
Coco tem opções da gastronomia regional e o Castillo Florestal, ótimo para um almoço tranquilo com uma vista linda, no meio do Parque Florestal. Sem falar da estrutura de neve, que faz do inverno o período com maior número de turistas no ano. As vinícolas também têm atraído muitos brasileiros, que cada vez mais se encantam com o enoturismo. Fomos conhecer algumas delas e te conto o que achei.
O Chile é reconhecido mundialmente como um grande produtor de vinhos e a fama não é em vão. Com videiras que remetem a meados do século XVI, que chegaram junto com os colonizadores espanhóis. As primeiras uvas, como a País, foram plantadas em Santiago e por muito tempo, a produção era destinada ao consumo local e a rituais.
A indústria vitivinícola expandiu-se a partir do século XIX, com a importação de cepas francesas e modernização das técnicas. Em 2023 o País ficou em sexto lugar como maior produtor de vinhos no mundo, na frente até da Argentina.
Na região de Casablanca, que fica entre Santiago e Valparaiso, encontramos muitas vinícolas. Entre elas a Emiliana, a Casas Del Bosque e a Viña Mar. A que visitamos foi a Casas Del Bosque.
O lugar é bem bonito e com ótima estrutura de enoturismo, conta com visitas guiadas, degustações e três restaurantes. Possuem várias linhas de vinhos e preços muito variados. A linha Pequeñas, com vinhos de guarda e bem estruturados e a linha Botaniques, com vinhos jovens e frutados, foram as minhas preferidas.
Valor da Visita: $ 35.000 por pessoa (inclui uma visita guiada pelas parreiras e pelo local de produção dos vinhos. Depois fazem uma degustação de quatro rótulos em uma sala privada).
O Vale do Maipu é uma região bem próxima a Santiago e que conta com grandes vinícolas exportadoras e por isso as mais conhecidas do Chile. Concha y Toro, Undurraga e Santa Rita são algumas das vinícolas desta região.
Tenho um carinho especial pela Concha y Toro, foi lá que me apaixonei pelo mundo dos vinhos. Foi a primeira vinícola que visitei, em 2014. Uma vinícola muito turística, que possui mais de 100 rótulos. O foco está mais na produção de vinhos menos complexos, já que a produção deles é massiva, sendo a maior exportadora de vinhos da América Latina. Mas, eu indico e acho que vale a visita.
A vinícola foi fundada em 1883 e a antiga casa é preservada e uma viagem pela história do país. E você já se perguntou por que eles usam o nome Diablo em vários rótulos? Para proteger os vinhos das suas adegas, Melchor Concha y Toro inventou uma lenda de que seus vinhos eram guardados por um Diabo e assim evitou que ladrões entrassem na propriedade.
A proximidade com Santiago e com outras vinícolas facilita um bate volta, que pode incluir três vinícolas no mesmo dia. Além de inúmeras opções de experiências. Fizemos o tour que termina com a degustação harmonizada de queijos e vinhos que gostei muito. O restaurante é bom, nada espetacular, mas serve para o propósito de almoço pós-degustação.
Valor da Visita: $ 70.000 por pessoa (Achou caro? Eu também, mas é uma experiência bem completa. Tem a visita guiada por todas as áreas da vinícola com degustação de quatro rótulos e depois você vai para uma sala reservada e degusta mais seis rótulos com harmonização de queijos. Dura quase três horas).
Já o Vale do Colchagua é uma região mais afastada, a mais ou menos 2 horas de carro. Lá encontramos vinícolas com produções menores e vinhos mais complexos como Clos Apalta, Vik e Montes. Fizemos três vinícolas no mesmo dia e foi bem tranquilo.
Começamos com a visita guiada com degustação da Clos Apalta. Esta vinícola é muito conhecida entre os apaixonados por vinhos, sempre aparece na lista das melhores vinícolas do ano pela World´s Best Vineyards (https://www.worldsbestvineyards.com).
Orótulo Clos Apalta 2005 recebeu o título de Vinho do Ano da Wine Spectator. Foi o primeiro vinho sul-americano a receber essa honraria. A vinícola foi toda pensada para aperfeiçoar a produção dos vinhos, o terroir é definido pelas características únicas do Vale de Apalta, uma sub-região do Vale de Colchagua. O vinhedo centenário e a filosofia biodinâmica da propriedade contribuem para a produção de vinhos de alta qualidade.
Os que degustamos foram Prelude 2022, Le Petit Clos 2021 and Clos Apalta 2022, todos excelentes. São vinhos de guarda, muito elaborados. Lá só entra com visita agendada e tem que fazer com antecedência, está sempre lotado.
Valor da visita: $40.000 por pessoa (Visita guiada por toda a vinícola e degustação de três rótulos).
Almoçamos na Montes, que fica a uns 10 minutos da Clos Apalta. A vista é incrível, em uma área aberta e rodeada pela cordilheira. Ela ficou em 17º na lista da World´s Best Vineyards.
Os fundadores desta vinícola foram os primeiros a cultivar a uva Syrah no Chile, em 1993. Comandado pelo famoso chef Francis Mallmann, o restaurante tem várias opções, é grande e bem bonito. O serviço foi ótimo e a comida também.
O Alpha Carmenére e o Secret Angel Chardonnay foram os nossos vinhos preferidos. Segue o link do restaurante onde pode ser feita a reserva antecipada: https://fuegosdeapalta.com/
Depois partimos para a Vinícola Viu Manent. Lá fizemos um passeio de charrete bem bonito, passando pelos vinhedos e finalizado com uma degustação.
A variedade de vinhos e valores é alta. O vinho de destaque é o Icon 1, um malbec de edição limitada e garrafas numeradas, produzidas em anos de safras diferenciadas. Vale a pena experimentar o Noble Semillon, um vinho de sobremesa. Ele é doce, mas muito equilibrado.
Valor da visita: $ 23.000 (Visita pela propriedade com passeio de charrete pelos parreirais. Finalizado com degustação de cinco rótulos em uma sala privada).
Se a ideia for passar uma noite por lá, a Clos Apalta tem suítes incríveis, que fazem jus ao preço alto. Na Viu Manent tem uma pousada charmosa e bem lindinha com preço mais acessível.
Santiago reúne muitos atrativos e merece uma visita. Se for regada a bons vinhos, melhor ainda.
Tim-tim!
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