Argentina Argentina
Buenos Aires: O horror transmitido ao vivo
coluna | Em Conexão
27/09/2025 10h45 Atualizada há 1 ano
Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires

Siga @leadnoticia

imagem das jovens

Em Buenos Aires não se fala em outra coisa. A morte de três jovens, Morena e Brenda, de 20 anos, e Lara, de 15 anos, virou o assunto central nas ruas, nos cafés e nas conversas de família.

A capital argentina está impactada e assustada depois da brutalidade do crime que ganhou contornos ainda mais perturbadores: parte do horror foi transmitido ao vivo pelo Instagram.

As três saíram juntas para um evento, entraram numa van branca e nunca mais voltaram para casa. Dias depois, seus corpos foram encontrados numa casa nos arredores da cidade, com sinais de tortura, segundo a polícia.

Os criminosos transformaram a violência em espetáculo, exibindo a barbárie como prova de poder.

Não foi apenas um crime bárbaro. Foi um recado. O narcotráfico, que há tempos age de forma silenciosa e estruturada, resolveu mostrar a face mais sombria da sua força.

De acordo com a polícia, durante a transmissão, uma frase ficou registrada: “olhem o que acontece com quem mexe com as minhas drogas e não paga”. A mensagem não era só para os envolvidos naquele universo, mas para a sociedade inteira.

O próprio ministro da Segurança da Argentina, Aníbal Fernández, foi categórico: o caso não é isolado, mas uma demonstração de poder do narcotráfico. 

O episódio revela uma nova etapa do poder das organizações criminosas: o uso das redes sociais como arma psicológica. Já não basta dominar territórios ou controlar rotas de drogas.

Agora, o domínio também é simbólico. É dizer: “nós estamos aqui, podemos tudo, até transformar a morte em conteúdo.”

protesto realizado por amigos e familiares

A tragédia das jovens argentinas não pode ser lida apenas como mais um caso policial. É um alerta. É um pedido de socorro. É a prova de que, enquanto o crime se atualiza e usa a tecnologia a seu favor, o poder público ainda insiste em respostas antigas e insuficientes.

Mas não é só a Argentina que deve refletir: em todo o continente, precisamos entender que a violência organizada já não se limita ao espaço físico.

Ela também se exibe, se conecta, se propaga. E, quando chega ao ponto de transformar a vida e a morte em transmissão ao vivo, não é apenas segurança pública que está em jogo. É a nossa humanidade.

 

Clique AQUI e adquira o livro
do economista Ricardo Viana
Clique AQUI e adquira o livro
do economista Ricardo Viana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

✅ Clique aqui para seguir o Lead Notícia no WhatsApp