Silencioso e muitas vezes descoberto apenas em estágios avançados, o câncer de intestino já é considerado uma das doenças que mais crescem no país. Em 2025, mais de 45 mil brasileiros devem receber o diagnóstico, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A campanha Setembro Verde busca ampliar a conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da neoplasia, que hoje ocupa a terceira posição entre os tumores mais comuns em homens e a segunda entre as mulheres.
O oncologista Márcio Almeida alerta que o estilo de vida moderno tem contribuído para esse aumento.
“O excesso de carnes vermelhas e processadas, o baixo consumo de fibras, o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo são fatores de risco importantes. Não é apenas questão genética: hábitos saudáveis podem reduzir significativamente a incidência da doença”, explica.
Sintomas e sinais de alerta
O câncer de intestino é traiçoeiro porque, nas fases iniciais, pode não causar sintomas. Quando aparecem, os mais comuns incluem:
“Esperar os sintomas surgirem é um risco. O ideal é realizar exames de rastreamento, mesmo quando a pessoa se sente saudável”, reforça Almeida.
Colonoscopia: ferramenta de prevenção
A colonoscopia é o principal exame para detectar e até remover lesões antes que se tornem câncer. A recomendação é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos, mesmo sem sinais da doença. Já quem possui histórico familiar deve começar dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado.
Outro recurso é o exame de sangue oculto nas fezes, capaz de identificar alterações invisíveis a olho nu e indicar a necessidade de avaliações mais detalhadas. “A colonoscopia não serve apenas para diagnosticar, mas também para prevenir o câncer”, destaca o especialista.
Jovens em risco: avanço global da doença
Um estudo apresentado na Digestive Disease Week 2024, maior congresso mundial de gastroenterologia, revelou aumento de 333% nos casos de câncer de intestino em adolescentes de 15 a 19 anos entre 1999 e 2020. O dado reforça que a doença não afeta apenas pessoas mais velhas e exige atenção desde a juventude, especialmente com relação a hábitos de vida e acompanhamento médico.
Avanços no tratamento
O tratamento do câncer de intestino tem evoluído rapidamente. Além de cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia e a robótica, que oferecem recuperação mais rápida e menos dor, pacientes contam hoje com terapias-alvo e imunoterapia, capazes de agir diretamente nas células doentes ou estimular o sistema imunológico a combatê-las.
Novas tecnologias, como a biópsia líquida e a análise genética dos tumores, permitem diagnósticos mais precoces e tratamentos personalizados.
“Quando a doença é identificada no início, conseguimos oferecer terapias menos agressivas, mais eficazes e com grande impacto positivo na qualidade de vida”, conclui Márcio Almeida.