Mais de 30 mil mulheres recebem, anualmente, o diagnóstico de cânceres ginecológicos no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para ampliar a conscientização, o mês de Setembro em Flor busca dar visibilidade não apenas ao câncer do colo do útero, mas também a outros tumores que atingem o aparelho reprodutor feminino, como os de ovário, endométrio, vulva e vagina.
O câncer do colo do útero ainda é o mais frequente, com estimativa de 16,5 mil novos casos por ano. Mas, segundo especialistas, os demais tipos merecem igual atenção, já que costumam ser silenciosos e muitas vezes identificados apenas em estágios avançados.
A oncologista Gabrielle Scattolin reforça que a informação é uma das principais ferramentas de prevenção.
“Mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero estão relacionados ao HPV. É uma das poucas neoplasias malignas que podem ser prevenidas com vacina e exames de rastreamento como o Papanicolau”, explica.
Vacina e rastreamento: pilares da prevenção
Disponível gratuitamente no SUS desde 2014, a vacina contra o HPV é indicada para meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14, além de pessoas imunossuprimidas até 45 anos. A imunização não protege apenas contra o câncer do colo do útero, mas também contra tumores de vulva, vagina, ânus, orofaringe e pênis.
O exame Papanicolau continua sendo essencial: identifica lesões pré-cancerosas que, tratadas precocemente, impedem o desenvolvimento da doença. A recomendação é iniciar aos 25 anos, com exames anuais nos dois primeiros anos. Sem alterações, a frequência pode passar a cada três anos.
Tumores silenciosos e sinais de alerta
Entre os cânceres ginecológicos, o de ovário é considerado o mais letal, já que 75% dos diagnósticos ocorrem em fases avançadas. Já tumores de endométrio, vulva e colo do útero podem apresentar sinais precoces.
Sintomas que merecem atenção incluem:
“Embora nem todos os cânceres ginecológicos tenham exames de rastreamento eficazes, consultas regulares, exames clínicos e de imagem podem indicar suspeitas precoces, sobretudo em mulheres com histórico familiar”, ressalta Scattolin.
Fatores de risco
Tratamento e quebra de tabus
O tratamento depende do tipo de tumor e do estágio da doença, podendo envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou combinações. Apesar dos avanços, a especialista reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce ainda são os maiores aliados.
“É fundamental quebrar os tabus que cercam a saúde íntima feminina. Muitas mulheres deixam de buscar atendimento por vergonha ou medo. Manter consultas regulares, praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada e falar abertamente sobre o tema são atitudes que salvam vidas”, conclui a oncologista.