Novo urbanismo coloca SC no mapa de cidades inteligentes

Empreendimentos multiuso, que combinam moradia, trabalho e lazer, avançam no estado. Projetos como o WOA SKY São José promovem conveniência, susten...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
17/09/2025 às 11h36
Novo urbanismo coloca SC no mapa de cidades inteligentes
WOA/divulgação

Empreendimentos de uso misto, que unem moradia, trabalho, lazer e serviços em um só endereço, podem ser amplamente encontrados em grandes metrópoles do mundo. No Brasil, eles vêm ganhando cada vez mais espaço, como explica a arquiteta Juliana Castro, da JA8 Arquitetura Viva. "Esse conceito parte de uma nova visão de urbanismo sustentável, e tem funcionado como uma resposta estratégica para cidades que enfrentam desafios de mobilidade, qualidade de vida e sustentabilidade", argumenta.

De Nova York a Singapura, os complexos multiuso já são parte estruturante da vida urbana. Projetos como o Hudson Yards (Nova York), o The Shard (Londres) e o Marina Bay Sands (Singapura) mostram como a integração de usos pode transformar não apenas o skyline, mas também a dinâmica social e econômica das cidades.

No Brasil, o movimento se intensifica com projetos como a Cidade Matarazzo (SP), o Parque da Cidade (SP), o Porto Maravilha (RJ), além de iniciativas em Santa Catarina, como a Cidade Pedra Branca (Palhoça), o WOA SKY (São José) e o VivaPark (Porto Belo). Esses empreendimentos indicam que o urbanismo de múltiplos usos deixou de ser uma exceção para se tornar tendência em diferentes regiões do país.

Pesquisas reforçam a relevância desse modelo. Segundo a CBRE (Coldwell Banker Richard Ellis), empreendimentos de uso misto podem gerar até 30% mais valorização imobiliária em relação a projetos tradicionais. Já o Knight Frank Global Cities Report aponta que sete em cada dez grandes lançamentos recentes em metrópoles globais adotam o formato multiuso.

Para o diretor de locação e pesquisa da CBRE, Felipe Giuliano, a volta ao trabalho presencial e a taxa baixa de desemprego no país têm fomentado o mercado de escritórios e, como consequência, as pessoas querem morar perto do trabalho, despertando desejo de aquisição de projetos residenciais. “O mercado acaba criando residências próximas dos escritórios para executivos e suas famílias morarem”, afirma Giuliano.

O relatório NordLB de 2025 também mostra que projetos de uso misto — combinando escritórios, comércio e residências — têm crescido, seja em novos empreendimentos ou na conversão de edifícios existentes.

O conceito também dialoga com a chamada “cidade de 15 minutos”, onde todos os serviços essenciais estão acessíveis em curtas distâncias, reduzindo deslocamentos e ampliando a qualidade de vida. No Brasil, esse movimento encontra respaldo no comportamento do consumidor: pesquisa da Brain Inteligência Estratégica (2024) mostra que mais de 60% dos brasileiros em áreas urbanas priorizam conveniência e qualidade de vida ao escolher onde morar.

 

Santa Catarina no radar

Santa Catarina começa a figurar nesse mapa de inovação urbana com projetos de grande porte. Um dos destaques mais recentes é o WOA SKY São José, em construção na Grande Florianópolis. Com mais de 75 mil m² de área integrada, o empreendimento prevê residências, escritórios, comércio e lazer em um único complexo, alinhado às premissas de conectividade e sustentabilidade.

“Mais do que um empreendimento, o WOA SKY São José se insere em um movimento maior de transformação urbana. Estamos falando de cidades que buscam ser mais inteligentes, sustentáveis e humanas. É nesse contexto que os complexos multiuso se consolidam como protagonistas do futuro”, destaca Patrícia Hartmann, gerente comercial da WOA.

Para Marcus Araújo, fundador da Datastore e especialista em inteligência de mercado imobiliário, esse tipo de iniciativa reposiciona regiões inteiras, ao criar polos urbanos capazes de atrair investimentos, estimular a mobilidade inteligente e oferecer novas possibilidades de vida em comunidade. Ele afirma que o futuro do setor não está no tamanho das unidades ou na quantidade de quartos, mas na capacidade de atribuir significado e propósito ao espaço habitado. “O imóvel deixou de ser apenas sobre metragem. Hoje, o que conta é a identificação, a integração dos ambientes e a flexibilidade para atender às novas dinâmicas familiares e profissionais”, analisa. E mais: “essa busca por conveniência e tempo de qualidade explica o interesse crescente por empreendimentos de múltiplos usos, que unem moradia, trabalho, lazer e serviços em um só endereço. Eles traduzem, na prática, o novo estilo de vida urbano”, completa Araújo.

 

Um novo estilo de vida urbano

Para a gerente comercial da WOA, mais do que tendência arquitetônica, os espaços de múltiplos usos representam uma mudança cultural: menos tempo no trânsito e mais tempo para relações pessoais, cultura e lazer. “O público dos empreendimentos de múltiplos usos é diverso e em expansão. De um lado, executivos e famílias de alta renda buscam conveniência e qualidade de vida ao reduzir deslocamentos. De outro, investidores e fundos imobiliários enxergam nesses projetos ativos de alta valorização e resiliência. Millennials e Geração Z, por sua vez, encontram nos complexos integrados a tradução de um estilo de vida urbano, vibrante e sustentável. Além disso, empresas e empreendedores se beneficiam do ecossistema criado, que transforma edifícios em verdadeiros polos de inovação e convivência”, explica Hartmann.

Em vez de grandes deslocamentos diários, o morador de um complexo multiuso encontra em seu entorno imediato todas as dimensões da vida urbana — do trabalho às compras, da saúde ao entretenimento. Esse modelo, que já se consolidou em metrópoles globais, começa a transformar também a realidade de cidades brasileiras, especialmente nos eixos onde urbanismo, tecnologia e sustentabilidade caminham juntos. “Os empreendimentos multiuso representam uma evolução natural do setor imobiliário. Eles oferecem não apenas conveniência, mas também solidez em termos de investimento e desenvolvimento urbano sustentável”, finaliza.

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