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O que é estar presente?
coluna | De Mãe para Mãe
17/09/2025 06h00 Atualizada há 1 ano
Por: Marina Marquez | coluna De Mãe para Mãe

 @marinammarquez
@avisacomunicaca

É difícil discordar desta máxima: presença é o melhor presente que podemos dar aos nossos filhos. Quase todo mundo concorda que eles lembram mais dos rituais no chão da sala do que do dia no resort. A dúvida aparece no segundo seguinte: quanto basta para estar, de verdade, presente?

Estar presente não é estar disponível 100% do tempo, ninguém consegue. E também não é ocupar o mesmo cômodo de qualquer jeito. Eu, inclusive, gosto de separar ausência de não presença.

O ausente não está, nem chegou. Já a não presença acontece quando o corpo comparece, mas a atenção, a alma, não. Está em casa, mas o celular não sai da mão. Está ao lado, mas a reunião continua aberta. Está na mesa, mas a conversa não acontece. É o “o que você disse mesmo?” repetido como trilha sonora.

Nossos filhos não precisam de nós o tempo todo: precisam de momentos inteiros. Momentos nos quais a atenção não balança. Pode ser um ritual de sono sem telas, um abraço demorado antes de apagar a luz, um almoço curto em família que retoma uma cena do dia anterior, ou aquele diálogo no carro a caminho da escola em que ninguém interrompe.

Presença, para mim, é intenção com calendário. Fica mais simples se pensarmos de forma racional: é decidir estar e proteger esse estar. Três movimentos simples resolvem metade do caminho na minha casa:

1.Escolher um ritual diário de presença. Cinco a quinze minutos, todo dia, no mesmo horário: leitura antes de dormir, brincadeira de cartas, oração, música.

2.Blindar o momento. Celular em outra sala, televisão desligada, calendário bloqueado. Se for no carro, rádio baixo e olho no olho, voz ou outra, pelo retrovisor.

3.Nomear a presença. Dizer em voz alta: “agora é nosso momento”. Marcar linguagem cria memória.

Quando isso vira prática, a rotina continua corrida, seguimos cheias de compromissos, e ainda assim é como se o dia ganhasse pausas firmes.

Com a consciência de que não haverá perfeição — haverá constância. E constância, para nossas crianças, tem cheiro de segurança.

A pressa rouba muito da nossa atenção, mas a presença devolve sentido. Para além de estar fisicamente, precisamos fazer a escolha diária de comparecer por inteiro. Momentos inteiros criam vínculos inteiros — e é assim que a memória da infância encontra lugar para morar. Estar presente é dar nome aos minutos que importam — e guardá-los no bolso para quando a pressa voltar.

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