Você já se pegou afastando o celular para conseguir ler uma mensagem? Ou então trocando o cardápio de mão no restaurante, tentando achar o foco? Essa cena é familiar para bilhões de pessoas no mundo que convivem com a chamada “vista cansada”.
A condição, conhecida como presbiopia, atinge 1,8 bilhão de pessoas globalmente. No Brasil, está presente em até 90% dos adultos acima de 45 anos, segundo o IBGE. Para a maioria, a solução está nos óculos de leitura ou multifocais. Mas um novo tratamento pode mudar esse hábito: a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o uso da aceclidina, princípio ativo do colírio Vizz, para corrigir a visão de perto.
O problema surge quando o olho perde a capacidade de focar objetos próximos, um dos primeiros sinais perceptíveis do envelhecimento da visão. Embora a aceclidina não seja uma substância nova, já utilizada desde os anos 1970 na Europa no tratamento do glaucoma, esta é a primeira vez que recebe aprovação nos Estados Unidos para melhorar a visão de perto.
Segundo a oftalmologista Stefânia Diniz, o efeito do colírio pode ser comparado ao de uma câmera fotográfica.
“Ao contrair a pupila, como o diafragma de uma câmera, o colírio reduz a dispersão da luz e aumenta a profundidade de foco. Isso resulta em uma visão mais clara e precisa”, explica.
No Brasil, a correção da presbiopia continua sendo feita principalmente com óculos. Eles podem ser específicos para leitura, multifocais ou até substituídos por lentes de contato, ideais para quem busca mobilidade. Existem ainda opções cirúrgicas, como o implante de lentes intraoculares durante a cirurgia de catarata ou técnicas a laser, como LASIK e PRK.
O diferencial da aceclidina está na praticidade.
“Ela tem efeito prolongado, de 10 a 12 horas, com apenas uma aplicação diária. Já a pilocarpina, outro colírio utilizado para o mesmo fim, exige duas aplicações e costuma provocar mais efeitos colaterais. A aceclidina é mais seletiva, atuando quase exclusivamente no músculo esfíncter da íris, o que traz mais conforto visual e menos impacto sobre a pressão intraocular”, destaca Stefânia.