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Nem tudo vai estar equilibrado. E tudo bem!
coluna De Mãe para Mãe
20/08/2025 06h06 Atualizada há 1 ano
Por: Marina Marquez | coluna De Mãe para Mãe

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Acorda, coloca a água do café para ferver, corta fruta, confere a agenda da escola. Lembra do uniforme de natação, pega a mochila, encontra o tênis do mais velho sujo e a boneca da mais nova passeando fora do lugar. Trinta minutos cronometrados de exercício (porque disseram que é o mínimo para a sanidade e para poupar músculos para o futuro). Leva, busca, leva de novo. Compra o presente do aniversário do fim de semana. Revisa o exercício da fono com um e agenda a consulta de pediatra para a outra. Abre o laptop, termina o relatório. Banho, almoço, revisa o checklist. Tudo antes do meio-dia.

São tantos pratos para equilibrar que, muitas vezes, o esgotamento é inevitável. E vem aquela máxima que atravessa gerações: “nasce uma mãe, nasce uma culpa”. Como ser tantas ao mesmo tempo sem perder a paciência?

Talvez a resposta esteja menos na lista e mais na expectativa. Haverá dias em que a noite será boa e a manhã milagrosamente produtiva. Daremos check em quase tudo.

Mas, na maior parte deles, a corda da equilibrista vai afrouxar. E tudo bem. O objetivo não é equilibrar tudo todos os dias; é não quebrar junto com os pratos.

Você conhece esses dias: a agenda da escola ficou na geladeira, a fruta acaba na hora da lancheira, o uniforme ainda está úmido, o bilhete de autorização desapareceu junto com a chave do carro, a garrafinha vazou dentro da mochila, o carro entra na reserva, o boleto vence, o e-mail volta com erro, a chefe remarca a reunião em cima da hora, a farmácia está com fila. O molho do macarrão entorna bem quando o celular toca da escola avisando que a febre da criança subiu.

Não é só impressão. Os dados mostram que, no Brasil, as mulheres seguem fazendo muito mais do trabalho que não aparece na folha de pagamento. Em 2022, segundo dados do IBGE, a média foi de 21,3 horas por semana dedicadas pelas mulheres a afazeres domésticos e/ou cuidado das crianças — entre os homens, esse tempo não chega a 12 horas. Mesmo quando todos trabalham fora, a conta doméstica continua desequilibrada.

E quando o desequilíbrio insiste, o corpo e a mente cobram: sobrecarga e esgotamento, muita culpa depois de explosões e um sentimento persistente de estar sempre devendo. Se identificou, né?

E o que fazer com isso? Eu tenho tentado passar por cima dos pratos caídos repetindo para mim mesma: desistir do equilíbrio perfeito não é desistir de mim. Leveza, aqui, é aceitar que todo dia será desafiador e, ainda assim, escolher as batalhas que importam.

É decidir o que é inegociável para nossa família — a rotina de sono que preserva a casa, o jantar simples que nos reúne, a brincadeira e o abraço diários— e deixar o resto escorrer.

Talvez hoje o jantar seja pão com ovo e o trabalho entre, de novo, na rotina noturna depois que eles já estiverem deitados. Talvez a mochila vá faltando o bilhete da agenda, o tênis sem limpar mesmo e o carro fique para abastecer na volta. O mundo não desaba quando um prato cai. O que desaba é a gente quando tenta girar todos ao mesmo tempo.

Nem tudo vai estar equilibrado o tempo todo — e tudo bem. Meu papel aqui é ser um lembrete quinzenal de que existe uma maternidade possível: uma vida em que trabalho, casa e crianças convivem com imperfeição e alegria.

Porque leveza é aprender a carregar e soltar pesos, cultivar apoio e encontrar um jeito de atravessar as fases com mais sorrisos no rosto. Porque o equilíbrio que importa é o que nos permite continuar — inteiras, presentes e com espaço para respirar.

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