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Uma coluna para pensar o que nos move
colunista Lead
19/08/2025 06h06 Atualizada há 1 ano
Por: André Cavalcanti | coluna Subjetividade e Poder

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A economia não é apenas números e cálculos, menos ainda as profecias do caos que se repetem seja quem for responsável por conduzi-la. Ela também é feita de medos que travam decisões, esperanças que fazem gente investir no impossível, desejos que impulsionam compras que a gente nem sabia que queria, crenças que sustentam leis inteiras e histórias que justificam desigualdades.

Vivemos numa época em que os dados chegam mais rápido que a reflexão. Em segundos, você sabe a cotação do dólar, a oscilação da Bolsa e a nova medida econômica do dia. Mas raramente alguém pergunta: o que isso faz comigo por dentro? E mais: como aquilo que sentimos — de forma consciente ou guardada no porão do inconsciente — molda nossas decisões políticas, nosso consumo e até o jeito que tratamos os outros?

É nessa fronteira entre a materialidade da economia e a vida mental que esta coluna nasce. Aqui, vamos falar do que aparece nas notícias, mas também do que se esconde nas escolhas, nos afetos e nas tramas invisíveis que ligam indivíduos, sociedade e estruturas de poder.

Também falaremos muito de política. E, quando digo “política”, não estou falando de quem está ganhando nas pesquisas ou da última tretatrend que dominou as redes. Estou falando de política como um conjunto de decisões, ações e estratégias — algumas conscientes, outras tão escondidas no inconsciente que nem percebemos — que organiza a vida coletiva.

Política está na lista de prioridades do orçamento do governo e no orçamento das pessoas, no jeito como tratamos cada um — seja uma pessoa simples, alguém que consideramos “importante”, alguém que julgamos superior ou alguém que tratamos como inferior — e até nas histórias que contamos para justificar por que “as coisas são assim mesmo”.

Onde entra o desejo?

A proposta de Subjetividade e Poder é simples: mostrar que economia e vida cotidiana não vivem separadas. Economia comportamental? Sim. Talvez economia emocional, mas tudo sem aquele tom de manual de autoajuda para corrigir “erros” de consumo.

Aqui, vamos olhar para o que não se mede: o desejo, a falta, a busca por sentido. Aquilo que foge das fórmulas, mas que, de algum jeito, move o mundo. Porque, no fundo, é essa engrenagem invisível que empurra políticas públicas, derruba governos e faz a gente gastar em coisas que não precisa (mas precisa).

E por que isso importa agora?

O mundo anda fervendo: desigualdade que parece não ter fim, crises econômicas, mudanças no trabalho, polarização, colapso climático. Tudo isso bate no bolso, na agenda e na paciência.

Mas também bate na cabeça: ansiedade por não dar conta, culpa por não atingir aquele “sucesso” que vendem por aí, medo de perder o que já conquistamos, ressentimento por ver que o jogo não é igual para todos. E, vamos ser sinceros, entender essa parte é crucial para explicar por que defendemos certas ideias, rejeitamos outras e, às vezes, nem saímos do sofá para mudar nada.

O humano por trás dos números

Quando digo “humano”, não estou falando de introspecção mística. Estou falando do ponto onde as histórias pessoais, os sentimentos e o contexto coletivo se misturam. É ali que as escolhas são feitas. E elas não são 100% racionais — na maioria das vezes, são um coquetel de vivências, valores e pressões econômicas.

O poder, aqui, é visto de forma ampla: não só a força que obriga, mas também as redes invisíveis que decidem quem fala e quem cala, quem aparece e quem some. É o poder de domínio da linguagem e da comunicação, de quem pode contar histórias, de definir o que é “verdade” e de transformar desigualdade em algo que parece natural.

Quando unimos o humano e o poder, enxergamos o que os números da economia não mostram: como paixões sustentam sistemas inteiros, como crenças mantêm desigualdades e como mudanças profundas começam com movimentos quase imperceptíveis.

Um convite

André Cavalcante - colunista Lead

Então, vamos fazer assim: leia Subjetividade e Poder como quem abre uma janela. Olhe para fora, mas não esqueça de dar uma olhada para dentro também. Entender economia política é, de certa forma, entender a si mesmo.

Porque, no final, toda decisão econômica ou política é uma decisão humana. E compreender o humano pode ser o primeiro passo para tomar o poder — sobretudo aquele que se exerce sobre si mesmo.

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