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O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu nesta semana 26 influenciadores digitais para a segunda edição do evento “Leis e Likes: o papel do Judiciário e a influência digital”, em Brasília. A iniciativa, liderada pela coordenadora de multimeios do tribunal, Fábia Galvão, teve como objetivo aproximar a Corte de públicos que consomem informação majoritariamente pelas redes sociais.
O encontro ocorreu em um momento em que o STF ocupa o centro de pautas consideradas “duras”, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. Ao abrir espaço para um evento descontraído, com conversas sobre democracia, constituição e cidadania, o tribunal buscou criar uma pausa no tom tenso e polarizado que costuma cercar sua atuação.
Durante um dia de programação, influenciadores de perfis variados, com diferentes crenças, ideologias e nichos de audiência, participaram de rodas de conversa, conheceram o plenário e o museu do STF e dialogaram diretamente com ministros como Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O evento também contou com apoio institucional de entidades como a OAB, Associação dos Magistrados Brasileiros e Instituto Justiça e Cidadania. Não houve pagamento de cachês ou cobertura de custos, e a participação foi voluntária.
A estratégia tem um caráter ousado: transformar as redes sociais, historicamente usadas para atacar e desacreditar o STF, em canais de diálogo e difusão de informações sobre o funcionamento do Judiciário. A edição anterior, realizada em 2024, gerou mais de 400 conteúdos publicados nas redes e foi apontada por integrantes da Corte como um fator de melhora na percepção pública, com aumento de menções positivas na imprensa.
Ainda assim, fica a questão: iniciativas como essa podem, de fato, mudar a relação do STF com o ecossistema digital e reduzir o tom de hostilidade online? Ou o impacto será pontual, restrito ao alcance dos influenciadores convidados?
Independentemente da resposta, o “Leis e Likes” demonstra que a comunicação institucional também pode ser criativa e estratégica. Para muitos observadores, é uma jogada de mestre: ousada, bem executada e capaz de deslocar o foco de um ambiente de tensão para uma conversa mais ampla e saudável sobre democracia.