Sem plano, sem futuro: porque escritórios de advocacia precisam pensar como empresas

Lucca Mendes é sócio fundador e administrador da Mendes Advocacia e Consultoria

Por: Redação
31/07/2025 às 08h54 Atualizada em 05/08/2025 às 11h13

Por anos, escritórios de advocacia trataram o planejamento estratégico como um luxo reservado às grandes bancas ou aos que buscavam expansão internacional. Hoje, se não existe um planejamento, o escritório arrisca estar ultrapassado. 

Bancas atualmente enfrentam uma competição acirrada. Os clientes estão mais exigentes, o tempo para construir uma relação está mais curto e as necessidades são outras. Buscas por demandas de inovação e eficiência são urgentes, planejar estrategicamente não é mais uma escolha.

O grande desafio é transformar boas intenções em ações práticas. Afinal, como sair do discurso e colocar o planejamento em movimento?

Para a pergunta, o primeiro passo é a resposta: o diagnóstico. Muitos escritórios ainda operam no automático, repetindo fórmulas que deram certo no passado. Mas entender o próprio posicionamento no mercado, os diferenciais reais, os pontos de melhoria e as oportunidades de crescimento é a ação necessária para qualquer movimento sustentável. 

Ferramentas clássicas como a análise SWOT, que avalia o ambiente interno e externo de um projeto para identificar seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças, continuam relevantes, desde que usadas com um olhar crítico.

Mas planejar não é somente olhar para dentro. É, acima de tudo, olhar para o cliente. Quais dores ele quer resolver? Que tipo de experiência ele espera do relacionamento com seu advogado?

Escritórios que estruturam seu planejamento a partir da jornada do cliente conseguem alinhar seus objetivos a uma entrega de valor real. E a partir desse ponto, as ações se convertem em fidelização, reputação e crescimento. 

Outro ponto essencial é entender que planejamento não é um documento bonito na gaveta. É um processo vivo, que precisa ser revisitado, ajustado e, principalmente, executado. Aqui, entram metodologias ágeis e ferramentas de gestão que já são amplamente adotadas por outros setores, e que podem e fazem total sentido no Direito. 

Afinal, por que a advocacia não pode adotar práticas mais enxutas, com metas claras e ações mensuráveis?

Inovação, aliás, é parte integrante desse planejamento. Mas não somente na tecnologia. Inovar é repensar o modelo de negócio, a cultura interna, a forma de comunicar e até a estrutura de precificação. É criar espaços para testar, errar rápido e aprender mais rápido ainda.

A advocacia está mudando e, quem não planeja, fica para trás.

 

Autor do texto:

Lucca Mendes é sócio fundador e administrador da Mendes Advocacia e Consultoria. Mestre em Administração - Gestão Contemporânea das Organizações com foco em Liderança em Escritórios de Advocacia pela Fundação Dom Cabral (FDC), 2019. Especialista em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral (FDC), 2017

 

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