A África do Sul produz vinhos de qualidade com preços justos e ainda oferece lugares únicos, com paisagens deslumbrantes e safáris incríveis. Uma viagem completa com cidades bem organizadas e preparadas para o turismo.
Passei por três regiões produtoras de vinhos, que se concentram perto da cidade do Cabo: Stellenbosch/Franschhoek, Paarl e Constantia. A região mais perto é Constantia, que fica a aproximadamente 20 min da região central da cidade do Cabo. O acesso é fácil, já que as pistas são ótimas e bem sinalizadas. A região é bem urbana, tem vários restaurantes e lojas. Lá existem mais de 20 vinícolas e as principais variedades de uva são: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, além das brancas Sauvignon Blanc e Sémillon. A região também é conhecida pela produção do famoso vinho doce Vin de Constance, feito com a uva Muscat de Frontignan. Segue a lista das vinícolas mais visitadas da região:
Constantia: tradição, charme e vinhos doces premiados
Groot Constantia: Uma das mais antigas e bonitas da região. Tem um bom restaurante, se quiser almoçar por lá, essa seria a minha indicação. Vale experimentar o pinotage deles, que é considerado um dos melhores da África e merece a fama.
Klein Constantia: Conhecida por seus vinhos doces e paisagens de tirar o fôlego. O Muscat de Frontignan deles é um dos mais pontuados, mas é um vinho muito doce e alcoólico. Lembra o Moscatel de Setúbal de Portugal. O espumante brut deles também foi um dos poucos que achei interessante na região.
Beau Constantia: Localizada em uma colina com vistas panorâmicas e vinhos de alta qualidade. Lá existem várias opções de lugares para sentar e apreciar um bom vinho. Escolhemos a parte de cima do restaurante, que tem uma vista privilegiada do alto das montanhas. Os vinhos Cecilia, um Viognier frutado e fácil de beber, e o Stella, um blend tinto bem estruturado, são as minhas recomendações. Peça a tábua de queijos para acompanhar.
A premiada Creation: uma joia no meio do nada
Mais afastada de Cape Town, em uma região quase deserta, encontramos a Creation, eleita a terceira melhor vinícola do mundo em 2024 pelo World’s Best Vineyards. Se você fizer uma visita depois de passar pelas suntuosas vinícolas de Stellenbosch e Franschhoek, pode se perguntar por que esta vinícola, pequena e intimista, ganhou o prêmio. Mas a resposta vem com o excelente atendimento, boa comida e vinhos de alta qualidade. O menu harmonizado vale o tempo de deslocamento. Todos os vinhos eram bons, mas nossos destaques são: Art of Pinot Noir, Art of Chardonnay e o Creation Estate Range Syrah/Grenache. Como a vinícola tem grande destaque no mundo dos vinhos, sem reserva você não consegue fazer o almoço harmonizado. Está sempre lotada.
Stellenbosch e Franschhoek: um sonho para enófilos
Entrar na região de Stellenbosch/Franschhoek, cidades vizinhas e que ficam a 1 hora de Cape Town, é como entrar em um sonho para os amantes de vinhos. Muitas vinícolas, próximas umas das outras, o que torna o deslocamento muito mais prático. Você pode contratar um passeio privado ou usar o trem que corta toda a região e para perto da maioria das vinícolas.
A Pinotage: uva símbolo da África do Sul
Precisamos destacar uma uva que foi criada na região. A Pinotage é uma uva tinta criada na África do Sul em 1925 pelo professor Abraham Izak Perold, da Universidade de Stellenbosch. A ideia de Perold era combinar as melhores qualidades de duas variedades francesas: a delicadeza da Pinot Noir e a resistência da Cinsault (conhecida localmente como Hermitage).
Vinícolas de destaque: luxo, sabor e estrutura
A primeira vinícola que fomos foi muito impactante. A Delaire Graff é uma das vinícolas mais luxuosas e bonitas que já estivemos. Provamos alguns vinhos, os nossos preferidos foram o White Reserve e o Reserve Merlot. Das vinícolas que fomos, essa é a mais cara. Mas o preço condiz com o local.
Em frente, temos a vinícola Tokara, que também conta com uma estrutura grande e bonita, mas não é tão luxuosa quanto a Delaire Graff. Entretanto, os vinhos foram mais interessantes. Elegemos essa como o conjunto dos melhores vinhos da região. Lá, peça a tábua de queijos, que é incrível. Minhas sugestões: Tokara Directors Reserve White, um blend bem equilibrado, que passa por barrica, mas é leve e aromático. Tokara Reserve Cabernet Sauvignon, um vinho encorpado e complexo, com taninos bem equilibrados. Não deixe de provar o azeite produzido por eles.
Nosso almoço foi na Boschendal, uma vinícola moderna e com muitas atividades para todas as idades. Um lugar lindo, com um ótimo restaurante, um mercadinho que vende produções locais bem gostosinhas, uma sorveteria e o que mais nos fez ir lá: um parquinho incrível para as crianças. Foi uma experiência muito bacana. Um vinho que gostei bastante deles foi o Rosé Vintage, fresco e macio.
No jantar, resolvemos sair um pouco das vinícolas e fomos ao The Fat Butcher. A comida faz jus à fama que tem, as carnes são excelentes. Mas reserve antes de ir, quem não tinha reserva não conseguiu mesa na noite em que estivemos lá.
A Rust en Vrede é uma vinícola boutique, menor no tamanho e na produção. Mas todos os vinhos que degustamos são de alta qualidade. O restaurante é um dos melhores da região. Vale a visita.
Onde se hospedar: conforto entre vinhedos
Nossa dica de hospedagem é a vinicola Asara Wine Estate & Hotel. O lugar é lindo e o atendimento cordial. O café da manhã foi um ponto alto da hospedagem. Algumas hospedagens não aceitam crianças, o que limitou as nossas opções.
Conhecer a África do Sul foi surpreendente. Lugares lindos, comida excelente, bons preços e tudo muito organizado.
Algumas dicas da nossa viagem:
Chegamos por Joanesburgo e fomos direto para Pilanesberg, o segundo maior parque de safári da África. Ficamos no hotel Shepherd's Tree Game Lodge que fica dentro do parque e tem dois safáris por dia. Valeu muito a pena. Para crianças é incrível, mas se atente à idade, eles não aceitam crianças com menos de 7 anos nos safáris.
Ficamos dois dias em Joanesburgo e recomendo fazer um city tour para conhecer melhor a história do apartheid e da cidade. Ficamos hospedados no Four Seasons e o hotel é um show. O café da manhã é imperdível.
O restaurante Marble é uma opção certa. Peça o ribeye e seja muito feliz, com uma carne perfeita e atendimento impecável.
Pegamos um voo para Cape Town e tudo lá funciona bem, nada de atrasos nem problemas com bagagens.
Em Cape Town, vá ao restaurante Gold, um lugar para turistas, mas que vale a pena. Eles servem vários pratos de regiões diferentes da África, comida muito boa e com um show super animado.
A Table Mountain é imperdível: suba no bondinho e tenha uma vista incrível da cidade, uma das mais altas do mundo. Mas fique de olho no site deles: se tiver neblina, eles fecham o bondinho. A fila é gigantesca, mas tem o fast pass, que mesmo mais caro, vale a pena. No dia que fomos, a espera era de mais de 3 horas. O fast pass salvou o dia.
A praia dos pinguins é legal para as crianças ou se você quiser muito ver os bichinhos, que estão espalhados por toda a praia. Mas é isso, não tem nenhum outro atrativo. Como ela fica no caminho para o parque do Cabo da Boa Esperança, então dá para encaixar. O parque tem uma paisagem linda e um restaurante no final do percurso, que não é nada extraordinário, mas a vista compensa a comida mediana.
Harmonização especial: Pinotage com nhoque ao molho funghi
Agora vamos à nossa harmonização. Escolhi um Pinotage, por ser a uva que simboliza a África do Sul. Vamos harmonizar com nhoque ao molho funghi. O sabor terroso e o corpo intenso do Pinotage combinam com o funghi seco.
Para o molho:
Corte o funghi em tiras. Aqueça a manteiga em uma frigideira, em fogo médio, doure a cebola picada finamente e depois acrescente o alho picado. Coloque o funghi e refogue por 5 minutos, junte o molho inglês e refogue. Tempere com sal e pimenta preta. Acrescente a água do funghi (ela deve ser peneirada para retirar a areia que vem no funghi, você pode passar por um coador de café ou por uma peneira coberta por um pano). Cozinhe até que o líquido tenha reduzido à metade (não passe de 5 min). Adicione o creme de leite fresco e cozinhe até o molho engrossar, acrescente a salsinha picada.
Para o nhoque:
Cozinhe o nhoque em água fervente até que eles subam na água. Retire e escorra. Aqueça azeite em uma frigideira e doure os nhoques. Coloque-os em uma tigela, despeje o molho funghi por cima e finalize com parmesão em lascas.
Tim-tim!