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Ensino superior no Brasil
Colunista Lead
22/07/2025 17h25 Atualizada há 1 ano
Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula

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Nos últimos anos, o debate sobre o custo e a eficiência do ensino superior público no Brasil intensificou-se, especialmente em relação ao impacto financeiro das universidades federais para o contribuinte. O artigo, "Estudante de universidade federal custa R$ 52,5 mil por ano aos pagadores de impostos", publicado pela Revista Oeste, foca nas despesas associadas ao ensino superior público, suscitando uma série de discussões sobre a sustentabilidade e a eficácia dessas instituições.

Assim como o enfoque do referido artigo, muitos debates centram-se, predominantemente, no custo financeiro para os contribuintes, sem oferecer uma discussão aprofundada sobre o valor sociocultural, científico e acadêmico das universidades federais. A principal limitação deste enfoque é a falta de consideração dos benefícios não monetários, como a contribuição para a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a formação de cidadãos críticos e bem-informados.

Portanto, muitas dessas análises deixam de abordar motivos críticos para a desistência e atrasos na formatura. Fatores socioeconômicos, como baixa renda, necessidade de trabalho para sustento próprio ou da família, e a falta de apoio institucional são componentes essenciais para entender o fenômeno. Além disso, barreiras pessoais, como saúde mental e falta de orientação acadêmica, igualmente contribuem para esses desafios.

Na última década, observou-se uma diversificação no perfil dos estudantes das universidades federais, com um aumento significativo de alunos oriundos de escolas públicas devido às políticas de ação afirmativa. Esta transformação tem implicado um remoldar do ambiente universitário para atender às diversas necessidades e potencializar o sucesso acadêmico desses estudantes. Costumo explanar em minhas aulas sobre a diferença da realidade da Universidade de Brasília à época  de minha graduação (anos 1990) e da atual. Estacionamento da Faculdade em que eu estudava era lotado de carros e muitos carros de alto nível.  Boa parte dos meus colegas de classe eram oriundos de escolas privadas. Hoje essa realidade mudou. Quando questionamos quantos alunos são oriundos das instituições públicas um percentual bem elevado ergue as mãos em sala.

Porém, as estatísticas mostram que uma parcela significativa dos estudantes universitários precisa equilibrar trabalho e estudo. Segundo o INEP, aproximadamente 50% dos alunos em instituições de ensino federal trabalham enquanto estudam, e muitos deles necessitam fazê-lo para evitar evasão ou atraso na conclusão de seus cursos. Esse dado destaca a urgência de políticas que integrem melhor a realidade trabalhista com a vida acadêmica.

A sustentabilidade e eficácia do ensino superior no Brasil não podem ser avaliadas apenas pelo custo financeiro. As universidades federais desempenham um papel crucial no desenvolvimento social e econômico do país. Portanto, é essencial integrar políticas de apoio e estruturas adequadas para facilitar o caminho dos estudantes, especialmente àqueles de origem menos privilegiada. Ao fazer isso, não só melhoramos os índices de permanência e formatura, mas também asseguramos uma educação que reflete e respeita a diversidade do país.

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SOBRENOME, Nome do Autor. Título do Artigo. Lead Notícia, 2025. Disponível em: [inserir o link da página do artigo]. Acesso em: [data].