Câncer de bexiga: entenda por que o cigarro é o maior vilão 

O tratamento desse tumor tem evoluído bastante, através da incorporação bem-sucedida de novas modalidades de tratamento, aponta oncologista.

Por: Redação
17/07/2025 às 11h24 Atualizada em 17/07/2025 às 13h52
Márcio Almeida - oncologista

Julho é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de bexiga, o segundo mais comum do trato urinário e o décimo segundo mais frequente na população brasileira, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os homens são mais acometidos, sendo esse o sexto tipo de tumor mais incidente no sexo masculino. 

O oncologista Márcio Almeida explica que, embora o diagnóstico precoce aumente significativamente as chances de cura, o câncer de bexiga costuma ser silencioso nas fases iniciais. 

“A ausência de sintomas evidentes faz com que muitos pacientes só procurem ajuda médica em estágios mais avançados da doença, quando o tratamento se torna mais complexo. Por isso, é fundamental estar atento a qualquer alteração urinária e manter consultas médicas regulares, especialmente em grupos de risco, como fumantes e pessoas acima dos 55 anos”, afirma o médico.  

O cigarro como principal vilão

Pouca gente sabe, mas o maior fator de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo, que aumenta em até quatro vezes a probabilidade de desenvolvimento da doença entre fumantes, em comparação com pessoas que nunca fumaram.

“A explicação está na forma como o corpo processa as substâncias tóxicas do cigarro. Ao fumar, milhares de compostos químicos são inalados e absorvidos pelo organismo. Muitos deles são carcinogênicos. O corpo tenta eliminá-los por meio da urina, o que faz com que essas toxinas passem diretamente pela bexiga e entrem em contato com seu revestimento interno (urotélio). Com o tempo, esse contato repetido pode causar mutações nas células da parede da bexiga, favorecendo o surgimento do câncer”, esclarece o especialista.

Márcio Almeida também faz um alerta: “O risco é proporcional à intensidade e à duração do hábito. Quanto mais se fuma, maior a probabilidade de desenvolver a doença. Mas há uma boa notícia: ao parar de fumar, esse risco diminui progressivamente ao longo dos anos, embora nunca volte ao nível de quem nunca fumou”.

Sintomas

Em seus estágios iniciais, a neoplasia pode ser assintomática. Quando presentes, os sinais podem ser confundidos com outras doenças do trato urinário. 

Diagnóstico

A investigação inicial geralmente inclui exame de urina, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. No entanto, o diagnóstico definitivo é feito por meio de cistoscopia — exame endoscópico que permite a visualização direta da bexiga — e da ressecção transuretral da lesão, procedimento cirúrgico que possibilita a biópsia e a confirmação do tumor.

Tratamento

O tipo de tratamento depende da extensão e do estágio do tumor. Nos casos iniciais, a abordagem pode incluir a ressecção transuretral do tumor, acompanhada ou não de terapia intravesical, como a aplicação de medicamentos diretamente na bexiga. Em estágios mais avançados, pode ser necessária a cirurgia de remoção parcial ou total da bexiga (cistectomia). A quimioterapia sistêmica, a imunoterapia e as terapias-alvo também podem ser indicadas, especialmente nos casos mais agressivos ou metastáticos.

“A medicina tem evoluído significativamente no tratamento do câncer de bexiga, com terapias cada vez mais eficazes e menos agressivas para o paciente. Com o avanço da imunoterapia, das terapias-alvo e dos anticorpos conjugados a drogas, hoje já conseguimos tratar o tumor de forma muito mais personalizada”, finaliza Márcio Almeida. 

Prevenção e hábitos saudáveis

Embora nem todos os casos de câncer de bexiga possam ser evitados, mudanças no estilo de vida ajudam significativamente na prevenção

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
American Pistachio Growers
Saúde Há 9 horas

Pistaches oferecem benefícios para a saúde

Ricos em proteínas, fibras e antioxidantes, os pistaches contribuem para a saúde cardiovascular, controle de peso e redução do risco de doenças crônicas, sendo recomendados como snack pós‑exercício. A produção global inclui a Califórnia, enquanto ...

Imagem do Magnific/dimaberlin
Saúde Há 10 horas

Consulta integrativa orienta rejuvenescimento após os 40

Médica à frente da Clínica TG, em Porto Alegre, Telma Giordani apresenta a avaliação que reúne pele, cabelo, fase hormonal, exames e hábitos antes da indicação de procedimentos, com plano de longo prazo e foco em resultados naturais

Divulgação: Sculptra
Saúde Há 11 horas

Dermatologista indica cuidados para a pele antes do verão

Procedimentos como o bioestimulador de colágeno e ácido hialurônico injetável, além de produtos de skincare que ajudam na regeneração da pele, estão entre os mais buscados para chegar com a pele bonita em dezembro

Divulgação Odontoclinic Vila Mariana/Dr. Hugo Robertson
Saúde Há 11 horas

Perda de vários dentes pede planejamento integrado da boca

Dr. Hugo Robertson, especialista em implantodontia, com atuação em prótese e reabilitação oral, explica por que casos com falhas múltiplas, próteses antigas e alterações de mordida exigem diagnóstico do conjunto antes da escolha de implantes ou pr...

Divulgação Grupo Ultra/Ultra Academia
Saúde Há 11 horas

Convênio com academia entra no top 10 de benefícios

Levantamento do Infojobs mostra que o benefício apareceu pela primeira vez entre os dez mais oferecidos no país, movimento associado à nova NR-1; Ivete Gama, CMO da Ultra Academia, analisa como o setor fitness passa a dialogar com áreas de RH e sa...