Economia Guerra comercial
Quando a diplomacia precisa ser forte como um café brasileiro
Colunista Lead
12/07/2025 12h00 Atualizada há 1 ano
Por: Ricardo Viana | coluna Economia

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Uma das cafeterias mais famosas do mundo é americana, e a cada esquina dos Estados Unidos, lá está ela com sua emblemática sereia verde. Se aceitar uma sugestão de economista (e apreciador de café), experimente o Pike Place Roast, um blend dos mais queridos da casa e servido nos EUA, Brasil e boa parte do planeta.

A ironia? Muito desse “café americano” é, na verdade, café brasileiro. O Brasil é um dos principais fornecedores dessa rede global, e não por acaso: lideramos a produção e exportação mundial, respondendo por quase 40% do café do mundo. Motivo de orgulho... e, às vezes, de preocupação.

Nesta semana, o aroma do café foi ofuscado pelo cheiro de guerra comercial: o governo dos EUA resolveu impor tarifas altas em produtos brasileiros. Como o café é item de peso na nossa pauta de exportação para lá, é caso clássico de “perde-perde”: ambos saem ressentidos, e sem brinde.

Ressalto: isto não é sobre política, é sobre economia. Tarifas e barreiras comerciais existem desde Roma antiga. Podem fazer sentido em certos casos, como defender uma indústria em desenvolvimento. Mas, com o tempo, viram sinônimo de ineficiência. O Brasil sabe bem: já curtimos altos e baixos por fechar mercado demais ou proteger à exaustão.

No curtíssimo prazo, sai perdendo o Brasil, que tem menos espaços para exportar, impactando empregos e crescendo menos. Nos EUA, a substituição do produto brasileiro dificilmente virá com a mesma qualidade e preço; quem paga é o consumidor, a indústria e os empregos. O comércio internacional não é apenas transação de mercadorias. É troca de experiências, cultura e eficiência.

E agora, José? Recorrer à Organização Mundial do Comércio seria o caminho óbvio, mas a OMC tem sido mais “figurativa” que “resolutiva”. O jeito é apostar na diplomacia. Como a maré está ruim para todos, aumentar o diálogo pode ser o empurrão que faltava para retomar negociações e garantir que o café volte a unir, e não dividir.

Está mais do que na hora de acionarmos o histórico vitorioso da diplomacia brasileira e, quem sabe, de levantarmos juntos uma xícara de café para celebrar bons acordos. Afinal, café é bom pra começar o dia, mas melhor ainda para recomeçar boas parcerias.