Saúde Entrevista
Câncer de pâncreas: o caso do apresentador Edu Guedes
Entrevista com o médico oncologista Márcio Almeida
11/07/2025 17h00 Atualizada há 1 ano
Por: Redação
Edu Guedes apresentador 

O apresentador Edu Guedes, de 51 anos, foi diagnosticado com câncer de pâncreas após passar por exames relacionados a uma infecção provocada por cálculo renal. Durante a investigação médica, foi identificada a necessidade de uma cirurgia, e, nesse processo, os médicos descobriram o tumor. Edu foi submetido a uma pancreatectomia robótica, procedimento de alta complexidade que durou cerca de seis horas, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

O diagnóstico de Edu Guedes também reacendeu a discussão sobre os desafios do câncer de pâncreas, um dos tumores mais difíceis de detectar precocemente. A doença costuma ser identificada em estágios avançados, o que limita as opções de tratamento e reduz as chances de cura. Essa dificuldade está relacionada aos sintomas iniciais, que são pouco específicos como dor abdominal, perda de peso, náuseas e fadiga e à ausência de exames de rastreamento eficazes para a população em geral.

Para entender melhor a doença e os caminhos possíveis para o tratamento, o portal Lead Notícia conversou com o médico oncologista Márcio Almeida. 

Márcio Almeida - oncologista 

Como funciona o tratamento do câncer de pâncreas?
Dr. Márcio Almeida: O tratamento depende do tipo e do estágio do tumor. Quando o câncer é diagnosticado em fase inicial e é operável, a principal estratégia é a cirurgia para remoção do tumor, muitas vezes acompanhada de quimioterapia complementar. Em casos mais avançados, onde a cirurgia não é possível, o tratamento pode envolver quimioterapia isolada, com ou sem radioterapia, e, em alguns casos específicos, imunoterapia ou terapias-alvo, dependendo das características moleculares do tumor.

O Edu Guedes passou por uma cirurgia de emergência após uma infecção caracterizada pelo cálculo renal, onde descobriu o câncer. Quais são os riscos da cirurgia e como é o pós?
Dr. Márcio Almeida: A cirurgia pancreática, como a pancreatectomia (retirada parcial ou total do pâncreas), é complexa e de alto risco, exigindo equipe especializada. Os principais riscos incluem sangramento, infecção, vazamento de enzimas digestivas e insuficiência pancreática, que pode afetar a digestão e o controle da glicose. O pós-operatório é delicado, especialmente nos primeiros 7 a 10 dias, e exige monitoramento intensivo. A recuperação completa pode levar semanas ou até meses, com acompanhamento nutricional, controle glicêmico e suporte psicológico.

A cirurgia elimina por si só o câncer, ou ainda existirá um processo de cura?

Dr. Márcio Almeida: A cirurgia é fundamental, mas não garante a cura por si só. Mesmo após a remoção completa do tumor visível, há risco de micrometástases, pequenas células cancerígenas espalhadas que não foram detectadas nos exames. Por isso, é comum que os médicos recomendem quimioterapia complementar, chamada de adjuvante, para reduzir o risco de recidiva e melhorar as chances de cura a longo prazo.

Mesmo após a cirurgia, o câncer pode evoluir?
Dr. Márcio Almeida: Sim. O câncer de pâncreas é agressivo e pode recidivar mesmo após cirurgia e tratamento completo, especialmente se o diagnóstico ocorreu em estágio mais avançado. O acompanhamento médico rigoroso com exames periódicos é essencial. A boa notícia é que a medicina tem avançado com novas terapias que ajudam a prolongar a sobrevida e manter a qualidade de vida dos pacientes, mesmo nos casos mais desafiadores.