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Educação no mundo digital
coluna | Sala de Aula
07/07/2025 10h12 Atualizada há 1 ano
Por: Alessandra Moulin | coluna Sala de Aula

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Além das Telas: educação e interação humana no mundo digital

Nas últimas décadas, dispositivos digitais revolucionaram profundamente a vida dos jovens. O uso extensivo de jogos de computador e a interação constante por meio de celulares têm levantado questões cruciais sobre estímulos à violência e isolamento social.

Essa realidade se manifesta em diversos contextos sociais. Nos restaurantes, é comum ver casais absortos nas telas dos seus dispositivos, enquanto crianças se entretêm com jogos eletrônicos ou vídeos repletos de estímulos sonoros e visuais. Em casa, muitos adolescentes substituem o tempo com amigos pela ‘interação’ com youtubers. Além disso, mesmo em encontros presenciais, os celulares frequentemente se tornam o centro da atenção. Assim, encontram-se fisicamente presentes, mas emocionalmente ausentes. Essa cena exemplifica a migração para um mundo virtual, em detrimento da apreciação do ambiente real que nos rodeia.

Atualmente, a tendência de consumir incessantemente conteúdos digitais destaca-se como um desafio significativo. As dificuldades em processar estímulos e a incapacidade de lidar com o tédio revelam transformações tanto fisiológicas quanto sociais. Essa obsessão digital tem implicações neurológicas consideráveis. Estudos conduzidos por especialistas como Daniel Levitin, elucidam como o influxo contínuo de informações influencia negativamente o cérebro em desenvolvimento; com a dopamina desempenhando um papel crítico na busca constante por recompensa imediata.

De acordo com o dicionário Aurélio contemplar é "observar atentamente". Contudo, na sociedade contemporânea, esse ato simples e profundo tem sido suplantado pela gratificação imediata proporcionada pelas telas. Na educação formal, fomentar a capacidade de contemplar é frequentemente subestimada. Esta prática, contudo, é vital não apenas para o equilíbrio emocional, mas também para nutrir o pensamento crítico e a criatividade.

Nesse contexto, enfrenta-se o desafio de transcender as tendências passageiras e focar no desenvolvimento integral do indivíduo. Educadores renomados como Paulo Freire, Dermeval Saviani e Ilma Veiga sublinham a importância de uma pedagogia que privilegie o diálogo, o debate e a formação crítica. Desta forma, a educação deve ser comprometida com as reais necessidades dos educandos, promovendo uma formação que contemple os aspectos cognitivos, humanos, sociais e emocionais.

Portanto, em tempos de crescente virtualização das experiências humanas é imperioso buscar um equilíbrio, cultivando práticas que incentivem a interação, o pensamento crítico e a capacidade de contemplação. Vivemos em um mundo cada vez mais virtual, e devemos, portanto, encontrar o equilíbrio entre a tecnologia e a experiência humana, com a educação desempenhando um papel fundamental nessa jornada.