Redes: STF acerta ao reforçar moderação sem impor censura

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Por: Ruy Conde | coluna Voto-Vista
02/07/2025 às 10h13 Atualizada em 22/07/2025 às 08h56

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STF acerta ao reforçar moderação sem impor censura às plataformas, diz especialista em democracia defensiva

Por Ruy Conde e Paloma Conde

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento sobre a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros. Por maioria, os ministros decidiram que as redes sociais podem ser responsabilizadas mesmo sem ordem judicial prévia — desde que tenham sido notificadas e não atuem para remover conteúdos que violem gravemente a legislação, como incitação à violência, discurso de ódio ou pornografia infantil.

professor Gustavo Justino de Oliveira

Para o professor Gustavo Justino de Oliveira, especialista em Direito Público e democracia defensiva, a decisão encontra um ponto de equilíbrio. “O STF reafirma a importância da moderação de conteúdo — mas sem impor às plataformas o papel de censores prévios. Essa é uma linha tênue entre liberdade de expressão e responsabilidade que precisa ser bem desenhada para não desestruturar o debate público”, avalia Justino, que leciona na USP e no IDP.

A tese firmada pelo Supremo delimita que conteúdos considerados gravíssimos podem ser removidos após simples notificação, enquanto, para outros casos — como ofensas à honra — continua exigida a decisão judicial. A medida entra em vigor imediatamente e se aplica apenas a conteúdos futuros.

O professor destaca ainda que o STF deixou claro o papel do Legislativo. “Agora é com o Congresso. A Corte jogou luz sobre um tema crucial, mas é o Parlamento que deve construir um marco legal definitivo para a regulação das plataformas”, completa.

Na prática, o julgamento representa um novo capítulo no enfrentamento à desinformação e à violência digital no Brasil — sem que isso signifique entregar às big techs o poder de decidir sozinhas o que pode ou não circular na internet.

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Voto-vista é uma coluna que mergulha nos bastidores do Judiciário e do mercado jurídico brasileiro. Aqui, decisões não são apenas sentenças: são movimentos estratégicos que moldam reputações, contratos, setores inteiros da economia e o futuro das empresas. A proposta é revelar — com linguagem acessível e leitura crítica — como o Direito se transformou numa arena de poder, influência e valor de mercado. A cada edição, a coluna analisa os desdobramentos jurídicos que escapam da linguagem técnica e mostram a verdadeira disputa por espaço, narrativa e dinheiro que acontece entre bancas, tribunais e instituições.
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