Agricultura Agro
Plano Safra frustra setor e acende alerta na FPA
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01/07/2025 18h28 Atualizada há 1 ano
Por: Naiane Carvalho | coluna E aí, América?
Plano Safra 

Apesar de ter alcançado um valor recorde — R$ 516,2 bilhões — o Plano Safra 2025/2026 foi recebido com cautela pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O principal motivo da insatisfação é a redução nos recursos destinados a investimentos, que caíram 5,4% em relação ao ciclo anterior.

Para o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), o corte compromete diretamente a capacidade do setor de se modernizar e crescer. “É mais uma peça de marketing do que uma política efetiva. O valor anunciado para a agricultura empresarial contém distorções e omissões que comprometem a transparência do programa e impõem custos sem precedentes ao setor produtivo”, afirmou.

Além do montante considerado insuficiente, a bancada do agro também critica o modelo atual de financiamento, classificado como defasado. Lupion defende uma reformulação do plano, com medidas como a antecipação do lançamento para o início do ano fiscal, o que permitiria melhor planejamento por parte dos produtores.

O parlamentar voltou a criticar ainda a Medida Provisória 1303/2025, que prevê a taxação das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), responsáveis por financiar até 43% da produção rural na última safra. “Mexer nas LCAs é atacar o coração do crédito rural. A insegurança jurídica afasta investidores e tira liquidez do sistema. É um risco enorme para quem produz e para quem financia”, alertou.

Outro ponto de preocupação é o impacto dos juros elevados no custo do crédito. “Com a Selic nas alturas, o custo do subsídio explode — e quem paga a conta é o produtor”, criticou Lupion. Segundo ele, o cenário desestimula novos investimentos e dificulta o acesso dos pequenos e médios produtores ao crédito rural.

Em abril, a FPA apresentou ao governo uma proposta alternativa para o Plano Safra. No documento, o crédito necessário para atender ao setor agropecuário foi estimado em R$ 1,3 trilhão, sendo R$ 599 bilhões provenientes diretamente do programa, número bem acima do que foi efetivamente anunciado.

O seguro rural também foi abordado na proposta. A bancada sugeriu R$ 25 bilhões para a equalização de juros e a destinação de ao menos 1% do valor total do plano — o equivalente a R$ 5,99 bilhões — à subvenção do seguro. No entanto, o valor anunciado para esse fim foi de R$ 13 bilhões, considerado aquém do necessário pelo setor.

“No ano passado, 32% do crédito prometido sequer foi contratado. E neste ano o plano já nasce com o orçamento contingenciado. Enquanto isso, o produtor vai bancando a conta de uma irresponsabilidade fiscal que prejudica toda a cadeia produtiva”, concluiu o deputado.