Se amanhã tudo acabar? ser imigrante nos EUA em tempos de tensão mundial
“Será que vem aí uma Terceira Guerra Mundial?” — a pergunta circula nos grupos de WhatsApp, ecoa nas conversas de corredores e atravessa silenciosamente os olhos de quem já vive com medo. Para os imigrantes, que muitas vezes caminham com passos medidos entre o sonho e a ilegalidade, a sensação agora é de um medo que se estende por todos os lados. De um lado, as ameaças de deportações em massa. Do outro, os Estados Unidos que entraram no confronto contra o Irã. E no meio disso tudo, vidas suspensas entre incertezas.
O que assusta mais ainda é o que não grita: o medo que entrou em casa, que tira o sono, que ronda o trajeto até a escola dos filhos. Segundo o Departamento de Segurança Interna, há cerca de 12 milhões de imigrantes indocumentados vivendo hoje nos Estados Unidos — cerca de 230 mil são brasileiros. E mesmo estando longe dos primeiros lugares na lista, o sentimento é de que todos estamos dentro da mesma tempestade. Uma tempestade sem sirenes, mas com efeitos profundos: aflição, vigilância constante e a sensação de não saber se amanhã a vida que você construiu aqui ainda vai existir.
O que era incerto virou instável. E o que era esperança agora é ansiedade. Muitos já não têm medo só da imigração — têm medo do mundo. Medo de que o país que escolheram para recomeçar esteja às portas de um novo conflito global. O que resta é tentar manter alguma rotina em meio ao caos. Porque os dias estão estranhos. O céu parece mais pesado. E ninguém sabe se a próxima notícia será só política… ou o aviso de que algo muito maior está por vir.