Internacional Imigração
Eles só queriam trabalhar
Colunista Lead
13/06/2025 14h20 Atualizada há 1 ano
Por: Naiane Carvalho | coluna E aí, América?

Eles só queriam trabalhar. Agora, se escondem

Os protestos que tomaram das ruas de cidades como Los Angeles, Chicago e Nova York não são apenas atos políticos — são gritos de quem tem vivido com medo. A nova postura do governo Trump, que voltou a ocupar o centro da política com promessas de deportações em massa, está afetando diretamente a rotina de milhões. A fiscalização ganhou fôlego, os agentes aumentaram a presença nas ruas, e o discurso endureceu. O alvo agora são pessoas comuns, que trabalham, criam filhos e contribuem — mas que, por falta de documentos, vivem com o coração apertado a cada batida de porta.

Tenho conhecido histórias que não cabem em manchete: como a de uma brasileira que evita sair de casa sozinha por medo de ser parada. Ou de um pai que, mesmo com emprego fixo há anos, orienta os filhos pequenos a não abrirem a porta para ninguém. Segundo o Departamento de Segurança Interna, existem cerca de 12 milhões de imigrantes indocumentados vivendo nos Estados Unidos. Desses, aproximadamente 230 mil são brasileiros — um número expressivo, mas ainda distante das maiores comunidades, como a mexicana. Mesmo assim, estamos todos dentro do mesmo alvo.

Não é fácil escrever sobre isso. Porque, mesmo com toda a estrutura que os EUA oferecem, a sensação hoje para muitos imigrantes é de vulnerabilidade. As políticas mudam rápido, os critérios de permanência também. E, enquanto isso, vidas seguem suspensas, em silêncio. Os dias estão estranhos. E ninguém sabe exatamente o que vem depois.