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Vinhos de dupla poda: Uma invenção brasileira
coluna | Entre Taças e Destinos
13/06/2025 12h19 Atualizada há 1 ano
Por: Fernanda Camargo | coluna Vinhos Mundo Afora

Muitos já sabem que, hoje, regiões que antes não eram consideradas adequadas para o cultivo de uvas viníferas conseguem produzir excelentes vinhos. Isso só é possível graças a uma técnica desenvolvida aqui no Brasil.

Ela se baseia no conceito da dupla poda, que, como o nome sugere, consiste em podar a videira duas vezes ao ano. No ciclo tradicional, as uvas são cultivadas no inverno e colhidas no verão. Já na dupla poda, o amadurecimento e a colheita ocorrem no inverno.

Essa técnica transfere a safra do verão para o inverno, criando condições ideais para a maturação e colheita das uvas, com foco na produção de frutos de alta qualidade e sabor. Mesmo com duas podas por ano, a colheita acontece apenas uma vez, entre maio e agosto.

Além disso, o processo ajuda a reduzir a incidência de doenças nas plantas e diminui a necessidade de defensivos agrícolas.
As variedades que melhor se adaptaram a essa técnica são Syrah, Cabernet Franc, Viognier, Sauvignon Blanc, Merlote Malbec.

O começo de tudo

A técnica da dupla poda foi criada por Murillo de Albuquerque Regina, no sul de Minas Gerais, enquanto atuava como pesquisador na EPAMIG Caldas. Ele revolucionou a vitivinicultura nacional.

Hoje, a técnica é aplicada em vários países e tornou possível a produção de vinhos de qualidade em diferentes climas ao redor do mundo.

Quem faz acontecer

Entre as vinícolas brasileiras que adotaram a dupla poda com excelência, destacam-se:

  • Guaspari, no Espírito Santo do Pinhal (SP)
  • Vinícola Brasília, na região do PADF
  • Vinícola Uvva, na Chapada Diamantina (BA)

Para aquecer o inverno

E já que estamos no inverno brasileiro, aqui vai uma dica de vinho elaborado com a técnica da dupla poda — perfeito para os dias mais frios — com uma sugestão de harmonização deliciosa.

Na taça e no prato

Microlote Chardonnay Uvva – Um rótulo premiado que destaca o terroir da Chapada Diamantina, a 1.150 metros de altitude. Envelhecido em barricas de carvalho francês, tem acidez acentuada, ideal para pratos com boa concentração de gordura.

O corpo do vinho, proporcionado pelo estágio em barrica, traz um toque amanteigado que harmoniza muito bem com queijos maturados.

Sugestão de harmonização: fondue de queijos.

Receita

Ingredientes:
• 400g de queijo estepe ralado grosso
• 400g de queijo gruyère ralado grosso
• 2 xícaras (chá) de vinho branco (pode ser um vinho de mesa)
• 1 dente de alho descascado
• 1 colher (sopa) de amido de milho
• Noz-moscada ralada na hora, a gosto

Modo de preparo:
Corte o alho ao meio e esfregue as metades no fundo de uma panela pequena (pode ser a própria panela de fondue). Misture os queijos em uma tigela. Em outra tigela, dissolva o amido de milho em 1 xícara de vinho e reserve.

Leve a outra xícara de vinho ao fogo baixo. Quando estiver morna, vá adicionando os queijos aos poucos, mexendo bem até formar um creme liso. A temperatura baixa e a adição gradual garantem a cremosidade e evitam que a gordura do queijo se separe.

Tempere com noz-moscada a gosto. Acrescente a mistura de vinho com amido e mexa por mais 1 minuto para incorporar.

Desligue o fogo e leve à mesa. Sirva imediatamente com cubos de pão italiano, legumes grelhados e batata noisette.

Tim-tim!