O Brasil deve registrar cerca de 37 mil novos casos de três dos principais cânceres ginecológicos por ano entre 2026 e 2028. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
São esperados anualmente 19.310 casos de câncer do colo do útero, 9.650 de corpo do útero e 8.020 de ovário. Os números ganham destaque durante o Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os tumores ginecológicos e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou depois da menopausa está entre os sinais que devem ser investigados. Dor ou pressão pélvica, corrimento persistente e dor durante a relação sexual também merecem atenção.
Outras alterações incluem inchaço abdominal, sensação frequente de estômago cheio, mudanças persistentes no funcionamento do intestino ou da bexiga, perda de peso sem explicação e alterações na vulva e na vagina.
A oncologista Gabrielle Scattolin, da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), ressalta que apresentar um desses sintomas não significa necessariamente ter câncer.
“O alerta é para mudanças que persistem, tornam-se frequentes ou fogem do padrão habitual da mulher. Nesses casos, é importante procurar avaliação médica e não esperar que o desconforto desapareça sozinho”, explica.
O câncer de ovário exige atenção porque pode provocar sintomas pouco específicos, especialmente nas fases iniciais. Inchaço abdominal, saciedade rápida, desconforto pélvico e alterações intestinais ou urinárias persistentes devem ser investigados.
Os fatores de risco variam de acordo com o tumor. No câncer de ovário, estão relacionados, entre outros fatores, à idade, ao histórico familiar e a alterações genéticas hereditárias, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Já no câncer do corpo do útero, obesidade, diabetes, idade mais avançada e exposição prolongada ao estrogênio estão entre os fatores associados.
No caso do câncer do colo do útero, a infecção persistente por tipos de HPV de alto risco é o principal fator associado à doença.
A vacinação contra o HPV e o rastreamento são ferramentas importantes de prevenção. A vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo as indicações estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
“É fundamental que pais e responsáveis mantenham a vacinação de crianças e adolescentes em dia”, afirma Gabrielle.
A especialista lembra ainda que não existe um único exame capaz de detectar todos os cânceres ginecológicos. A avaliação depende da idade, dos sintomas, do histórico familiar e dos fatores de risco de cada mulher.
▪️oncologista Gabrielle Scattolin,
da Rede Américas e membro da Sociedade
Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)