O café solúvel está ganhando espaço dentro e fora do Brasil. As exportações brasileiras do produto cresceram 12,8% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram embarcadas 65,3 mil toneladas nos oito primeiros meses do ano, o equivalente a 2,83 milhões de sacas de 60 quilos de café verde. Em 2025, no mesmo intervalo, foram 57,9 mil toneladas.
Somente em agosto, as exportações chegaram a 7,7 mil toneladas, alta de 24,9% sobre o mesmo mês do ano passado. Com exceção de janeiro, todos os meses de 2026 registraram volumes iguais ou superiores aos de 2025.
O movimento também aparece dentro do país. O consumo de café solúvel chegou a 19,7 mil toneladas entre janeiro e agosto, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
A alta ocorreu tanto entre os produtos mais tradicionais quanto nos de maior valor agregado. O consumo do tipo spray dried avançou 11,7%, enquanto o freeze dried cresceu 13,3%.
Com os resultados, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia que o país pode encerrar 2026 com recordes tanto nas exportações quanto no consumo doméstico.
“O Brasil tem forte possibilidade de bater recorde tanto em volume exportado quanto no consumo interno de café solúvel”, afirma Aguinaldo Lima, diretor executivo da entidade.
A União Europeia ajudou a impulsionar as vendas brasileiras. De janeiro a agosto, o bloco importou 13,1 mil toneladas de café solúvel do Brasil, crescimento de 44,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Nos Estados Unidos, o resultado acumulado ainda é negativo. As vendas caíram 6,1% nos primeiros oito meses do ano. Agosto, porém, mostrou uma recuperação, com aumento de 86,8% nos embarques na comparação anual.
Os Estados Unidos têm peso importante para o setor. Em 2025, o país foi o principal destino individual do café solúvel brasileiro, apesar de as compras terem recuado 28,2% naquele ano.
Se 2026 caminha para terminar com números positivos, a indústria já demonstra preocupação com 2027. O motivo é uma mudança tributária que pode aumentar os custos de produção.
Segundo a ABICS, o crédito presumido de PIS/Cofins sobre a compra de café verde, usado pela indústria para reduzir o custo da matéria-prima, passou de 7,4% para 6,66% neste ano e deverá ser extinto em janeiro de 2027.
A associação afirma que negocia alternativas com o governo federal e o Congresso. Na avaliação do setor, o fim do benefício pode aumentar os custos da indústria e afetar a competitividade do café solúvel brasileiro.
Mesmo diante dessa preocupação, os números até agosto mantêm a expectativa de um ano histórico para o setor. O desafio será sustentar o ritmo de crescimento nos últimos meses de 2026.
Os números de exportação, consumo e mercados externos conferem com os dados divulgados pela ABICS e repercutidos nesta quinta e sexta-feira. Em 2024, o Brasil havia registrado seu recorde histórico de exportações em volume, com cerca de 94,4 mil toneladas; em 2025, o total caiu para 85,1 mil toneladas.