O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de um mandado de prisão temporária em uma operação que investiga a suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital paulista.
Leite não foi localizado pelos investigadores na manhã desta quinta-feira (17). Ele afirmou que está no interior de São Paulo e disse que pretende se apresentar à polícia em até 24 horas. O ex-vereador nega envolvimento com a facção e rejeita as acusações.
A Operação Vectura Corrupta é realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão na capital e em cidades da região metropolitana e do litoral paulista.
Segundo a investigação, integrantes do PCC teriam se infiltrado em empresas responsáveis pelo transporte coletivo. A apuração também busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro e de fraudes envolvendo o setor.
As autoridades investigam ainda a atuação da facção no financiamento de campanhas políticas. A apuração alcança as eleições municipais de 2024 e outros vínculos entre investigados e agentes políticos.
Milton Leite também é investigado por uma suposta relação com a Transwolff, empresa de ônibus que já havia sido alvo de outra investigação sobre possível lavagem de dinheiro para o PCC.
Os investigadores apontam Leite como possível verdadeiro proprietário da empresa. O ex-vereador nega. Ele afirma que nunca foi dono de empresa de transporte e que sua relação com o setor ocorreu durante sua atuação política.
A operação também tem como alvos advogados, ex-integrantes da administração municipal e políticos. Entre eles está Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual, que foi preso nesta quinta-feira.
Outro alvo é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito.
As diligências são realizadas em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Milton Leite foi vereador de São Paulo por 27 anos e presidiu a Câmara Municipal em diferentes períodos. Ele deixou o Legislativo no fim de 2024 e atualmente ocupa posição de comando partidário em São Paulo.
Em declaração após a operação desta quinta, Leite afirmou que não está foragido. Segundo ele, a viagem ao interior já estava programada e também envolve compromissos relacionados à campanha eleitoral do filho.
O ex-vereador afirmou que está se organizando com os advogados para comparecer às autoridades.