O Brasil esperou uma resposta do Supremo, mas nesta quarta-feira (16), acordou com mais perguntas.
Foram horas de uma sessão extraordinária convocada para discutir uma questão grave. O STF deveria avançar sobre a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O mérito, porém, ficou pelo caminho.
Quem acompanhou o julgamento viu ministros discutindo o rito, questionando a condução do processo e divergindo sobre se os casos de Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados juntos.
Viu também uma troca áspera entre Gilmar Mendes e Mendonça em pleno plenário. No fim, Flávio Dino pediu vista e a sessão terminou sem a resposta que havia levado o país até ali.
É essa a ressaca desta quarta-feira.
Na coluna de ontem (15), escrevi que o brasileiro não precisava conhecer o número da petição nem dominar o regimento do Supremo. Precisava apenas compreender o que aconteceu. Um dia depois, essa tarefa ficou ainda mais difícil.
O trabalhador que acompanhou a notícia entre uma viagem de ônibus e outra, no intervalo do serviço ou quando chegou em casa, encontrou uma discussão quase incompreensível e bizarra.
Era julgamento separado ou conjunto? Quem deveria relatar os casos? A sessão do dia 23 continua valendo? Quando Moraes será efetivamente julgado?
São perguntas legítimas. Neste momento, algumas ainda não têm resposta.
O que ficou definido é pouco. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino. Pelas regras do Supremo, o ministro tem até 90 dias para devolver o processo. Não há, por enquanto, uma nova data confirmada para a análise que começou ontem.
Permanece também no calendário do STF a sessão de 23 de setembro, originalmente marcada para tratar das suspeitas envolvendo André Mendonça.
Antes do pedido de vista, parte dos ministros defendia justamente levar os dois casos para essa data e analisá-los em conjunto. A forma como isso será resolvido ainda depende dos próximos movimentos da Corte.
Nada disso significa que um tribunal deva atropelar regras para oferecer uma resposta rápida à opinião pública. Justiça exige rito, defesa e cuidado. O problema começa quando o procedimento se torna tão confuso que passa a ocupar o lugar da pergunta principal.
Houve irregularidade ou não? Há elementos suficientes para investigar um ministro do Supremo ou não?
Era isso que boa parte do país esperava começar a descobrir ontem. A sessão terminou sem chegar lá.
Talvez a imagem mais fiel do dia seguinte seja justamente esta. Depois de horas de transmissão, votos, interrupções, discussões e questões de ordem, o cidadão olha para o Supremo e ainda encontra uma página em branco.
Não porque faltem perguntas. Faltam respostas.