A inadimplência deu um pequeno sinal de melhora no Distrito Federal em agosto. O número de consumidores com contas em atraso caiu 0,48% na comparação com julho, segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF).
Os dados, baseados em informações do SPC Brasil, mostram, no entanto, uma situação diferente quando a comparação é feita com o ano passado. Em relação a agosto de 2025, o número de inadimplentes no DF aumentou 3,74%.
Apesar da alta, o avanço ficou abaixo do registrado no Centro-Oeste, de 5,06%, e no país, de 5,02%. Os números mostram que a melhora observada de julho para agosto ainda não foi suficiente para reverter o crescimento da inadimplência no período de um ano.
Para o presidente da CDL-DF, Eduardo Rodrigues, a redução mensal pode abrir espaço para ampliar as negociações entre consumidores e empresas.
“A redução da inadimplência em agosto, ainda que moderada, é um sinal importante e mostra que há espaço para avançarmos. Com a ampliação das oportunidades de negociação e a oferta de condições adequadas à realidade das famílias, podemos transformar esse movimento pontual em uma tendência mais consistente”, afirma.
Outro dado ajuda a entender a situação. O número de consumidores inadimplentes caiu em agosto, mas a quantidade de dívidas em atraso ainda é maior do que há um ano.
Na comparação com agosto de 2025, o número de dívidas em atraso cresceu 6,08% no Distrito Federal. A alta também ficou abaixo das médias do Centro-Oeste, de 10,10%, e do Brasil, de 10,28%.
Já na passagem de julho para agosto, houve melhora. A quantidade de dívidas em atraso caiu 0,80% no DF. No Centro-Oeste, a redução foi de 1,24%. No país, chegou a 2,04%.
Na prática, os números mostram duas situações diferentes. Há menos consumidores inadimplentes do que no mês anterior, mas o estoque de dívidas ainda permanece acima do registrado no mesmo período do ano passado.
A recuperação de crédito também acende um sinal de atenção. Em agosto, o número de consumidores que conseguiram regularizar as dívidas no Distrito Federal caiu 6,79% na comparação com o mesmo mês de 2025.
No Centro-Oeste, a redução foi de 1,17%. No Brasil, a queda chegou a 7,22%. Para o comércio, esse indicador ajuda a medir quantos consumidores conseguem sair da inadimplência e recuperar o acesso ao crédito.
A avaliação da CDL-DF é que a negociação pode ser uma ferramenta para recuperar valores em aberto e, ao mesmo tempo, preservar a relação das empresas com os clientes.
“Os dados mostram que o desafio não está apenas em reduzir a inadimplência, mas em evitar que o consumidor volte a ficar inadimplente. A negociação, a educação financeira e o crédito consciente são instrumentos importantes para construir um ambiente de consumo mais saudável e sustentável”, afirma Eduardo Rodrigues.
Para os lojistas, acompanhar a evolução das dívidas também ajuda na definição das políticas de crédito e cobrança. A combinação dos indicadores de agosto mostra uma melhora no curto prazo, mas ainda não permite falar em uma reversão da inadimplência no Distrito Federal.
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