Quem mora na Argentina provavelmente já ouviu falar de Milo J. O nome dele aparece nas playlists, nas redes e nas conversas sobre a nova música do país.
No Brasil, porém, ele ainda é menos conhecido. Isso pode começar a mudar neste sábado (12), quando o cantor de 19 anos faz sua estreia no país no palco Supernova, do Rock in Rio.
Ele traz na bagagem um discurso que aborda o racismo na Argentina e reforça a importância dos povos originários.
Milo J nasceu em Morón, na região metropolitana de Buenos Aires, e cresceu dentro da cena urbana argentina. Rap e trap fazem parte dessa formação, mas ele foi além.
Passou a misturar esses sons com ritmos tradicionais do país, como a milonga, ligada à cultura do Rio da Prata e próxima do universo do tango, e a chacarera, ritmo popular e dançante muito associado ao interior argentino,.
Essa mistura aparece com força em “La Vida Era Más Corta”, lançado em 2025. O disco junta sons urbanos, bandoneón, folclore e referências das raízes argentinas. É um trabalho sobre memória, origem e pertencimento, mas feito por um artista que fala com uma geração acostumada ao rap e ao streaming.
Milo J costuma resumir parte dessa identidade em uma frase forte. Para ele, “a Argentina é marrom”. A ideia é questionar a imagem de um país visto apenas como branco e europeu.
O cantor chama atenção para uma Argentina também indígena, mestiça e latino-americana, formada por histórias e origens que durante muito tempo ficaram em segundo plano.
Milo J olha para a Argentina que existe além de Buenos Aires e de sua imagem mais exportada. É uma forma de dizer que ser argentino também é reconhecer uma identidade mais diversa e mais próxima do restante da América Latina.
Milo J chega ao Brasil muito jovem, mas já com uma ideia bastante clara sobre o artista que quer ser. O Brasil vai conhecer um pouco melhor um artista que leva ao palco uma Argentina menos óbvia, menos europeizada e muito mais latino-americana.
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