O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal em um inquérito aberto para apurar o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi aberta em julho e tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Também aparecem como investigados Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).
A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas à origem e ao caminho dos recursos destinados à produção.
Documentos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o projeto chegou a prever um financiamento de US$ 24 milhões. Parte das transferências passou por empresas ligadas ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
A investigação aponta Flávio Bolsonaro como participante das tratativas para obter recursos com Vorcaro. O senador já confirmou ter procurado o então banqueiro para buscar apoio ao projeto, mas nega irregularidades e sustenta que o financiamento foi privado.
Segundo informações divulgadas pela própria produtora e confirmadas por Flávio, o filme custou cerca de US$ 13 milhões. Desse total, 92% teria sido financiado por Vorcaro.
Parte dos recursos foi enviada ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. A PF investiga o caminho percorrido pelo dinheiro e a destinação final dos valores.
“Mineiro”, apontado como responsável por transferências feitas a pedido de Vorcaro, fechou acordo de colaboração premiada. A delação foi homologada nesta semana por André Mendonça.
Os investigadores também apuram se parte dos recursos enviados ao exterior foi usada para pagar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita ainda está sob investigação.
O financiamento de “Dark Horse” aparece hoje em duas frentes diferentes no Supremo.
O inquérito sob responsabilidade de André Mendonça investiga os repasses ligados a Vorcaro e ao Banco Master. É nessa apuração que Flávio Bolsonaro aparece como investigado.
Outra investigação, relatada pelo ministro Flávio Dino, apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares. Essa frente levou à operação da PF realizada nesta quinta-feira (10), que teve Mario Frias e a produtora Karina Gama entre os alvos.
A condição de investigado não significa culpa. O inquérito busca reunir provas e esclarecer a origem, o percurso e a destinação dos recursos utilizados no financiamento do filme.