Geral São Paulo
7 de setembro: confira roteiros em SP que guardam lembranças da Independência do Brasil
Setur-SP percorre caminhos do Imperador D. Pedro I, entre palácios, museus e monumentos
07/09/2026 08h35
Por: Redação Fonte: Secom SP

Foi em São Paulo, quando ela ainda era apenas uma vila com casebres de pau a pique e paredes caiadas, que D. Pedro I recebeu, em 7 de setembro de 1822, num sábado, às margens do rio Ipiranga, as cartas da imperatriz Leopoldina, sua esposa, e de seu ministro José Bonifácio. Cartas que mudaram o Brasil para sempre.

Para fazer essa volta ao tempo, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) destaca atrações como museus, fazendas, monumentos e palácios, alguns deles ligados aos eventos daquele setembro.

Um museu para contar histórias

Construído entre 1885 e 1890, o Museu do Ipiranga ( https://museudoipiranga.org.br/ ) localiza-se próximo de onde aconteceu o grito da Independência, sendo um monumento em sua homenagem. O prédio tem espaços de exposições, ações culturais e atividades educativas para todas as idades, tem objetos que relembram os fatos de 1822 e boa parte da história brasileira. No hall de entrada, a imponente escadaria apresenta globos de vidro com água de importantes rios do Brasil.

Quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, no Salão Nobre do Museu do Ipiranga, em São Paulo (foto: Ludmila Almeida / Setur-SP)

No Salão Nobre, o quadro de Pedro Américo, “Independência ou Morte” divide o espaço com objetos pessoais da família imperial, como os fios de cabelo de D. Pedro II e D. Maria II, ainda bebês. Nos jardins, passeios e piqueniques povoam os finais de semana. Nesta segunda-feira, (7), o feriado da Independência, acontecerá mais uma edição do Museu em Festa, reunindo atrações gratuitas para crianças, adultos e idosos, com acessibilidade, celebrando os 130 anos da instituição.

Serviço
Museu Imperial (Museu do Ipiranga) – Rua dos Patriotas, 100 – Ipiranga, zona sul de São Paulo, aberto de terça a domingo, das 10h às 17h. Bilheteria gratuita. No feriado (7), programação especial com muitos eventos, visitações e mediações culturais.

A casa que testemunhou o grito

A casa que aparece no quadro “Independência ou Morte” não existia na época de D. Pedro I. A obra, pintada em 1888 em Florença, na Itália, por Pedro Américo, retrata uma casa que se parece muito com a atual. O imóvel hoje existente, dos anos 1840 e tombado em 1975 pelo Condephaat, está situado no Parque da Independência e fica logo atrás do Monumento à Independência. Seus oito cômodos foram feitos originalmente de pau-a-pique e abrigam exposições relacionadas à capital paulista. Erguida próxima ao antigo Caminho do Mar e ao riacho Ipiranga, a Casa abriga vestígios das reformas realizadas ao longo dos anos.

Serviço
Casa do Grito (Parque da Independência, aberto de terça a domingo, das 9h às 17h, entrada gratuita. Metrôs Alto do Ipiranga ou Sacomã (linha 2- Verde).

Um Panteão para o Patriarca

No Centro Histórico de Santos, a maior estância turística do litoral paulista, além de aproveitar as charmosas cafeterias próximas ao Museu do Café, há um local que remete a um dos principais personagens de 1822 – o patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva. O Pantheon dos Andradas ( https://www.turismosantos.com.br/pt-br/content/pantheon-dos-andradas ) , onde estão os jazigos com os restos mortais dele e seus irmãos, em prédio anexo ao Convento do Carmo.

Pantheon dos Andradas, no Centro Histórico de Santos (foto: Ken Chu / Setur-SP)

Inaugurado em 7 de setembro de 1923, o local tem um salão principal com a estátua em mármore, do Patriarca nascido em Santos. José Bonifácio, antes de se estabelecer o Império do Brasil, foi professor de Mineralogia na Universidade de Coimbra, em Portugal, presenciou a Revolução Francesa (nos tempos de Robespierre) e tem uma estátua em sua homenagem, no Bryant Park, em Nova York.

Serviço
Pantheon dos Andradas – Praça Barão do Rio Branco, 16 (anexo ao Convento do Carmo), Centro Histórico de Santos. Aberto de terça a domingo, 11h às 17h. Entrada gratuita.

O solar que a Marquesa tinha

Na antiga Rua do Carmo (atual Roberto Simonsen), no Centro de São Paulo, está o Solar da Marquesa de Santos ( https://visite.museus.gov.br/instituicoes/museu-da-cidade-de-sao-paulo-solar-da-marquesa-de-santos/ ) , um raro exemplar de residência urbana do século XVIII. O imóvel foi propriedade de Domitila de Castro, a marquesa que foi amante do Imperador D. Pedro I, à época da Independência. Foi considerada uma das residências mais aristocráticas de São Paulo e festas famosas foram realizadas ali. As características neoclássicas da fachada principal foram incluídas após 1880.

Solar da Marquesa de Santos, no Centro Histórico de São Paulo (foto: Ingrid Chagas / Setur-SP)

O Solar abriga atividades museológicas sobre a História da capital e é também a sede do Museu da Cidade de São Paulo. Há vídeos sobre o IV Centenário paulistano, reproduções de jornais sobre a Revolução de 1932, exposições permanentes e temporárias e atividades culturais e educativas. O pavimento superior ainda conserva paredes de taipa de pilão e pau-a-pique do século XVIII.

Serviço
Solar da Marquesa de Santos (sede do Museu da Cidade de São Paulo) – R. Roberto Simonsen, 136 – Sé, Centro Histórico de São Paulo (próximo ao Pátio do Colégio e Estação Sé do Metrô) – de terça a domingo, 9h às 17h. Entrada gratuita.

Uma rota, do interior à Independência

A tropa de D. Pedro I percorreu, em lombo de mulas, o Caminho do Paraitinga e Paraíba, dois rios do leste paulista. Bananal foi a primeira cidade a receber a comitiva de D. Pedro, que se hospedou em fazendas locais para obter apoio das elites cafeeiras, passando depois por São José do Barreiro, Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí e Mogi das Cruzes. Em Cachoeira Paulista e Lorena, a tropa pousou e trocou montarias. Em Guaratinguetá e Aparecida (à época, unidas), D. Pedro rezou diante da imagem de Nossa Senhora. A passagem do imperador buscou apaziguar disputas na então Província de São Paulo, para unificar o reino.

O caminho com vista para o mar

A primeira rodovia da América Latina a receber pavimentação em concreto (em 1792), a chamada Estrada Velha de Santos (a SP – 148) tem 11,5km. Foi por ela que D. Pedro I, tendo descido até Santos pela Calçada do Lorena, a 5 de setembro, para inspecionar fortalezas e defesas militares, tornou a subir a serra até o planalto paulista, sob forte calor, acabando por proclamar a Independência em São Paulo, no dia 7. A estrada está fechada para veículos desde 1985.

Trecho do Caminho do Mar, em São Bernardo do Campo (foto: Sergio Luiz Jorge / Setur-SP)

O trajeto, em meio à Mata Atlântica, tem forte ecoturismo e precioso patrimônio ambiental, em pleno Parque Estadual da Serra do Mar, que oferece tirolesa e trilhas guiadas. Entre os monumentos que celebram a Independência, estão o Pouso de Paranapiacaba (uma cafeteria panorâmica), o Belvedere Circular, a Calçada do Lorena e o Rancho da Maioridade, entre outros. A canção “As Curvas da Estrada de Santos”, de Roberto e Erasmo Carlos, de 1969, foi inspirada no Caminho do Mar.

Serviço
Caminho do Mar (Estrada Velha de Santos) – SP 148. Portarias: São Bernardo do Campo (km 42) ou por Cubatão (km 50). Na Semana da Independência, de 01 a 07/09, o ingresso em promoção sai por R$ 7.

Como era São Paulo em 1822

Naquela época, São Paulo era uma pequena vila acanhada e pacata, com 7 mil habitantes e um núcleo urbano que se restringia a uma colina cercada pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú. O casario, que se concentrava em torno do Pátio do Colégio e de algumas poucas ruas centrais, era de taipa de pilão ou de pau a pique e tinha paredes caiadas de branco. As ruas eram de terra. Havia forte vida religiosa e a rotina da vila parava ao som dos sinos das igrejas. A população era composta por comerciantes, artesãos, funcionários públicos e pessoas escravizadas.

Um dia sete para setembro

Numa das cartas que D. Pedro recebeu, a princesa Dona Leopoldina aconselhava o marido a romper com Portugal e proclamar a Independência, uma vez que o tempo de negociar já havia encerrado. Na carta de José Bonifácio, o ministro avaliava a gravidade da situação. Houve ainda correspondências vindas das Cortes de Lisboa, do rei D. João VI e de um diplomata britânico. Os decretos portugueses anulavam o governo de D. Pedro, cassavam os poderes do futuro imperador e exigiam o imediato regresso do príncipe a Lisboa. D. Pedro decidiu não voltar e proclamou o famoso grito de emancipação política do Brasil.