Pode até parecer que política é uma discussão distante, feita em Brasília, entre partidos e candidatos. Mas uma eleição presidencial acaba chegando à nossa casa.
Está no preço dos alimentos, nos impostos, no emprego, na segurança, na escola dos filhos, no atendimento de saúde e no dinheiro que sobra, ou não, no fim do mês.
Por isso, conhecer quem disputa a Presidência não deveria ser apenas assunto para quem gosta de política.
Em outubro, quando o eleitor estiver diante da urna, estará escolhendo muito mais do que um presidente. Estará decidindo qual projeto terá a oportunidade de conduzir o país pelos próximos quatro anos.
Opções não faltam. A lista é maior e politicamente mais diversa do que aquela que costuma aparecer no noticiário diário.
As pesquisas mostram uma disputa concentrada principalmente em Lula e Flávio Bolsonaro. Mas, quando se olha a urna inteira, o cenário é bem mais amplo.
Há diferentes correntes da direita, candidaturas de centro e uma esquerda que também está longe de falar com uma única voz.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta a reeleição e um quarto mandato. É o principal nome da esquerda brasileira e chega à campanha defendendo o governo e uma ampla aliança política.
Flávio Bolsonaro (PL) é senador pelo Rio de Janeiro e representa o bolsonarismo na disputa. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta sua primeira campanha presidencial com o desafio de manter e ampliar esse eleitorado.
Ronaldo Caiado (PSD) representa uma direita conservadora com forte ligação com o agronegócio. Ex-governador de Goiás e político experiente, tem na segurança pública uma de suas principais bandeiras.
Romeu Zema (Novo) ocupa uma vertente liberal da direita. Empresário e ex-governador de Minas Gerais, defende menor presença do Estado, controle dos gastos e maior participação da iniciativa privada.
Renan Santos (Missão) tenta abrir espaço para uma direita que se apresenta como alternativa ao PT e ao bolsonarismo. Cofundador do MBL, aposta na renovação e na força das redes sociais.
Augusto Cury (Avante) chega à eleição vindo de fora da política tradicional. Psiquiatra e escritor, busca uma posição mais ao centro e leva para a campanha temas como educação e saúde mental.
Pablo Marçal (PRTB) volta ao cenário eleitoral depois da disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. Empresário e influenciador, construiu projeção principalmente nas redes sociais e busca espaço no eleitorado de direita.
Clariana Barão (DC) é advogada e dirigente partidária em Mato Grosso. Estreante em eleições, representa a Democracia Cristã e integra uma das duas candidaturas presidenciais lideradas por mulheres.
Wilson Grassi (Democrata) é médico-veterinário e tem sua trajetória pública ligada principalmente à defesa dos animais. Chega à corrida presidencial depois de disputar outros cargos eletivos.
Do outro lado do espectro político, a eleição também mostra que a esquerda não se resume ao PT.
Hertz Dias (PSTU) representa uma esquerda socialista crítica ao governo Lula. Professor, historiador, rapper e ativista do movimento negro, concentra seu discurso nos trabalhadores e nas desigualdades sociais.
Edmilson Costa (PCB) também se posiciona à esquerda do governo. Economista, professor e dirigente comunista, defende mudanças profundas na organização econômica e social do país.
Rui Costa Pimenta (PCO) é outro nome da esquerda socialista. Jornalista e presidente do PCO, chega à sua quarta disputa pela Presidência e mantém uma linha crítica ao sistema político e econômico brasileiro.
Samara Martins (UP) completa esse campo. Cirurgiã-dentista do SUS e dirigente da Unidade Popular, foi candidata a vice-presidente em 2022 e agora encabeça uma chapa formada por duas mulheres.
Olhar para os 13 nomes ajuda a perceber que a eleição é mais complexa do que uma simples divisão entre Lula e Bolsonaro.
Existe uma disputa dentro da própria direita. Flávio Bolsonaro tenta consolidar a herança eleitoral do pai. Caiado e Zema procuram demonstrar que existe uma direita competitiva fora do bolsonarismo.
Renan Santos e Pablo Marçal disputam parte desse mesmo eleitorado com estratégias diferentes.
Na esquerda, Lula ocupa um espaço muito maior, mas também encontra adversários ideológicos. PSTU, PCB, PCO e UP apresentam projetos mais à esquerda e fazem críticas ao modelo conduzido pelo PT.
No meio desse tabuleiro ainda estão candidaturas que tentam escapar dessa divisão e encontrar eleitores pouco identificados com os dois grandes polos.
É justamente aí que a campanha fica interessante.
Treze nomes estarão tentando responder, cada um à sua maneira, às mesmas inquietações de milhões de brasileiros: como fazer a economia crescer? Como melhorar a segurança? Como gerar emprego? O que fazer com a saúde e a educação? Qual deve ser o tamanho do Estado? E que país queremos construir?
Hoje, as pesquisas apontam favoritos, mas pesquisa é fotografia e campanha é movimento. Até outubro, haverá muita política entre uma coisa e outra.