Saúde Julho Verde
Câncer de cabeça e pescoço: sintomas ignorados atrasam diagnóstico
Estimativa do INCA aponta cerca de 39 mil novos casos por ano no Brasil.
25/07/2026 10h46 Atualizada há 2 meses
Por: Redação

Todos os anos, o Julho Verde chama a atenção para um grupo de tumores que, apesar de frequentes, ainda é pouco conhecido pela população: os cânceres de cabeça e pescoço, popularmente associados aos cânceres de boca e garganta.

A campanha busca ampliar o conhecimento sobre a doença, incentivar hábitos de prevenção e alertar para a importância do diagnóstico precoce, fator decisivo para aumentar as chances de cura e reduzir o impacto do tratamento.

Embora existam sinais de alerta relativamente fáceis de identificar, grande parte dos pacientes ainda chega ao especialista com a doença em estágio avançado.

"O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e pode permitir tratamentos menos agressivos", explica o oncologista da Rede Américas e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Márcio Almeida.

Tabagismo e álcool continuam entre os principais vilões

O tabagismo permanece como o principal fator de risco para os cânceres de cabeça e pescoço. Quando associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o risco de desenvolver a doença aumenta de forma expressiva.

Outro fator que vem ganhando importância é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente nos tumores da orofaringe, região localizada na parte posterior da garganta.

Nos últimos anos, especialistas têm observado aumento desse tipo de câncer entre pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo.

"Além desses fatores, a exposição solar sem proteção está diretamente relacionada ao câncer de lábio, enquanto a má higiene bucal, próteses mal adaptadas e uma alimentação pobre em frutas e verduras também contribuem para elevar o risco", alerta o especialista.

"Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de tratamentos menos invasivos e melhores resultados clínicos", reforça Márcio Almeida.

Prevenção começa com escolhas diárias

Embora parte dos casos esteja relacionada a fatores genéticos, a maioria pode ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis.

Não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter boa higiene bucal, utilizar preservativo nas relações sexuais, vacinar crianças e adolescentes contra o HPV, conforme o calendário do Ministério da Saúde, alimentar-se de forma equilibrada e realizar consultas odontológicas periódicas são medidas que reduzem significativamente o risco.

Segundo o oncologista, campanhas como o Julho Verde têm papel fundamental para mudar esse cenário.

"Com os avanços da cirurgia, da radioterapia, da quimioterapia e da imunoterapia, muitos pacientes conseguem retomar suas atividades e manter boa qualidade de vida, especialmente quando o tratamento é iniciado nas fases iniciais da doença", finaliza o oncologista da Rede Américas.

 

Oncologista da Rede Américas e membro da  Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Márcio Almeida.