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A eficiência americana que custa caro
coluna | E ai, América?
09/06/2025 11h01 Atualizada há 1 ano
Por: Naiane Carvalho | coluna E aí, América?

Nos Estados Unidos, tudo funciona. Você resolve um problema com três cliques no aplicativo, retira um pedido sem sair do carro, envia documentos no correio sem enfrentar fila. A estrutura impressiona e entrega exatamente o que promete: agilidade. Todos os dias vejo Teslas desfilando silenciosos nas ruas, enquanto pessoas almoçam em outros carros ali mesmo, entre um compromisso e outro. A cena é comum e diz muito: a pressa virou estilo de vida — e, muitas vezes, o silêncio também.

Essa eficiência, que tanto admiramos quando chegamos, pode se transformar em um tipo de solidão disfarçada. Ninguém bate na sua porta sem avisar. Ninguém tem tempo para um café demorado numa terça-feira à tarde. As relações são programadas, cronometradas, e muitas vezes trocadas por mensagens automáticas. No começo, a praticidade parece libertadora. Depois, a gente começa a sentir falta de ser visto — de verdade. Eu mesma já me peguei comendo no carro, ouvindo música brasileira no último volume, tentando recriar alguma memória de afeto no meio da rotina acelerada.

Se você também sente isso, a dica é simples, mas eficaz: marque cafés presenciais, faça pequenas pausas sem culpa durante o dia e encontre um espaço na agenda para aquilo que não dá lucro, mas faz bem. Um hobby, uma caminhada, um grupo de conversa. Morar fora é isso — aprender, todo dia, a equilibrar o que a gente ganha com o que a gente não quer perder.