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Geração vape: crescimento do uso entre jovens coloca saúde em alerta
No Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas alertam e temem retrocesso no combate ao tabagismo.
31/05/2026 06h00 Atualizada há 4 meses
Por: Redação
uso de vape

Mesmo proibidos no Brasil desde 2009, os cigarros eletrônicos continuam avançando no país, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.

Com aparência moderna, sabores adocicados e forte apelo nas redes sociais, os chamados vapes vêm ganhando espaço de forma ilegal e acendendo um alerta entre especialistas em saúde pública às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

Em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição dos dispositivos eletrônicos para fumar e ampliar as restrições, incluindo fabricação, importação, armazenamento, transporte, distribuição e propaganda desses produtos. Ainda assim, o consumo segue crescendo no país.

Para Márcio Almeida, oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a expansão dos cigarros eletrônicos representa um novo desafio no combate ao tabagismo, após décadas de redução no número de fumantes no Brasil.

“Estamos vendo uma nova geração se tornar dependente da nicotina por meio de dispositivos que passam uma falsa ideia de segurança. O problema é que os danos à saúde existem e já começam a aparecer de forma cada vez mais evidente”, alerta o médico.

cigarros e vapes

Falsa sensação de segurança

Embora frequentemente comercializados como alternativas “menos prejudiciais”, os dispositivos eletrônicos estão longe de serem inofensivos.

Estudos apontam que os produtos contêm nicotina em altas concentrações, além de metais pesados, solventes químicos, substâncias tóxicas e compostos potencialmente cancerígenos.

O vapor inalado pode causar inflamações pulmonares, lesões respiratórias e dependência química. Outro fator de preocupação é que muitos usuários acabam desenvolvendo dupla dependência, mantendo o consumo simultâneo do vape e do cigarro convencional.

Além disso, o apelo visual e comportamental dos dispositivos contribui para a banalização do consumo, especialmente entre adolescentes.

“O cigarro eletrônico ganhou espaço como um produto associado à modernidade e ao estilo de vida jovem. Isso faz com que muitos adolescentes iniciem o consumo sem ter dimensão das consequências para a saúde”, afirma o oncologista.

Retrocesso preocupa especialistas

Dados recentes reforçam o sinal de alerta. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgadas em 2026, o tabagismo continua sendo um dos principais fatores evitáveis de adoecimento e morte no mundo, diretamente associado a diversos tipos de câncer, especialmente o de pulmão.

Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a campanha do Dia Mundial Sem Tabaco busca conscientizar a população sobre os impactos do consumo de produtos derivados do tabaco.

Entre os adolescentes, o cenário é ainda mais preocupante. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelou que a experimentação de cigarros eletrônicos entre jovens de 13 a 17 anos saltou de 16,8% para 29,6% nos últimos anos.

“O crescimento do uso de vapes entre adolescentes preocupa porque a exposição precoce à nicotina aumenta significativamente o risco de dependência química e dificulta o abandono do hábito no futuro”, explica o médico.

Câncer de pulmão segue entre os mais letais

O avanço do consumo de nicotina preocupa especialmente pelo impacto direto no aumento de doenças graves. O câncer de pulmão permanece entre os tipos mais letais no mundo e tem no tabagismo seu principal fator de risco.

Além do câncer de pulmão, fumar também aumenta significativamente o risco de tumores na boca, garganta, laringe, esôfago, pâncreas, bexiga, rim e colo do útero.

“Muitos pacientes acreditam que trocar o cigarro convencional pelo eletrônico elimina os riscos, mas isso não é verdade. O vape mantém a dependência da nicotina e também pode causar danos importantes ao organismo. O cigarro eletrônico cria uma nova geração exposta aos riscos do vício e das doenças associadas ao tabaco”, conclui o oncologista.