Entrevista Entrevista
Ministro do Empreendedorismo fala sobre o fim da escala 6x1
Paulo Pereira afirma que a redução da jornada para 40 horas semanais pode ocorrer de forma gradual e com foco em produtividade.
28/05/2026 10h36 Atualizada há 4 meses
Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires
ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O texto foi aprovado em dois turnos e agora segue para análise do Senado.

A proposta reacendeu o debate sobre os impactos da medida para empresas, trabalhadores e para a economia brasileira.

Em meio às discussões, o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, afirmou que o país está preparado para uma transição gradual no modelo de jornada, sem redução salarial e com foco no aumento da produtividade.

Lead: O governo acredita que a economia brasileira está pronta para o fim da escala 6x1?

Sim. A avaliação do governo é de que a economia brasileira tem condições de se adaptar a uma nova jornada de trabalho. Muitos setores já operam com modelos diferentes e a tendência é que a mudança aconteça de forma gradual.

Lead: Parte do setor empresarial pede compensações fiscais para enfrentar a mudança. O governo pretende discutir esse tipo de medida?

O entendimento é de que o foco deve estar em produtividade, inovação e qualificação profissional, e não necessariamente na criação de novos benefícios fiscais ou desonerações.

Lead: Como o governo avalia os impactos da redução da jornada para pequenas empresas?

O governo entende que pequenas empresas precisarão de adaptação e apoio para atravessar essa transição. A aposta é em crédito, tecnologia e capacitação para aumentar a eficiência e reduzir possíveis impactos da mudança.

De acordo com o ministro, o presidente “está sensível” para avaliar quais setores podem sentir o impacto maior da mudança.

“Mas a gente entende que a economia brasileira está preparada para essa mudança”, ponderou.

Aprovação da PEC 

A PEC reduz o atual teto constitucional de jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e institui dois dias de folga, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Ao todo, serão 14 meses de transição: duas horas serão adotadas 60 dias após a promulgação e as outras duas um ano depois.