Política Saúde
Doação de órgãos: AEDO completa dois anos e amplia registro de doadores no Brasil
Nesta terça-feria (19), em sessão no Senado, autoridades destacaram o avanço da doação de órgãos com a plataforma digital AEDO.
19/05/2026 14h07 Atualizada há 5 meses
Por: Gabriela Vale
foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Uma sessão especial no Senado Federal celebrou os dois anos da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), iniciativa criada para facilitar e ampliar o registro de cidadãos interessados em se tornar doadores de órgãos no Brasil.

A solenidade foi presidida pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP) e reuniu representantes do Ministério da Saúde, cartórios, transplantados e atletas que passaram por transplantes.

Durante o evento, o presidente do Colégio Notarial do Brasil (CNB), Eduardo Calais, ressaltou o impacto social da ferramenta e os resultados alcançados desde sua criação.

“Hoje celebramos um avanço civilizatório, a possibilidade de transformar solidariedade em uma ação concreta, sem burocracia, sem custo e com alcance nacional”, declarou. 

Senador Lucas Barreto (PSD-AP) e o Presidente do CNB/CF, Eduardo Calais Pereira.

Calais lembrou ainda que a recusa familiar continua sendo um dos principais obstáculos para o aumento das doações no país.

“É um dos maiores desafios. Esse desafio passa pela informação, diálogo e conscientização”, disse.

Segundo ele, a AEDO já alcançou uma marca expressiva. São quase 30 mil formalizações de doações. Cada nova autorização pode significar uma vida salva.

Ao final, o presidente do CNB afirmou que “a união da tecnologia, da Justiça e da cidadania pode conduzir a um impacto social verdadeiro” e parabenizou os mais de oito mil cartórios brasileiros que participam da iniciativa.

Mais de 78 mil aguardam por transplante

A coordenadora nacional do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, destacou que a AEDO representa um avanço institucional importante para o país.

“A criação da AEDO representa um avanço importante para o país, porque traduz o compromisso das instituições com a doação de órgãos. É uma iniciativa do Ministério da Saúde, CNB e CNJ. Mais do que um documento, é uma declaração de solidariedade, é uma escolha generosa”, afirmou.

presidente da Associação Brasileira de Transplantados, Edson Arakaki (foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Represente da Associação Brasileira de Transplantados, Edson Arakaki chamou atenção para a longa fila de espera por transplantes no país.

“Apesar de o Brasil ser uma das grandes referências em transplantes no mundo, hoje mais de 78 mil pessoas estão na fila do transplante. A fila dura, em média, de dois a cinco anos de espera”, revelou. Na ocasião, ele incentivou a população a aderir à cultura da doação. “Convido todo mundo a se cadastrar para doar órgãos ou, para começar, doando sangue”, afirmou.

Atletas transplantados reforçam conscientização

A sessão também contou com a participação de atletas transplantados. Um dos depoimentos foi o de Vanildo Dipicoli, transplantado há 16 anos.

“Graças ao transplante eu estou aqui”, declarou, reforçando a importância da conscientização e do diálogo familiar sobre a decisão de doar órgãos.

Ao encerrar a sessão, o senador Lucas Barreto destacou a relevância de ampliar o debate público sobre a doação de órgãos e fortalecer iniciativas que incentivem a manifestação prévia de vontade dos cidadãos. Também participaram da celebração, tabeliãs, parlamentares e outras autoridades.

Plataforma permite registro digital e gratuito

Criada em parceria entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Colégio Notarial do Brasil, a AEDO permite que qualquer cidadão registre gratuitamente, de forma digital, o desejo de ser doador de órgãos por meio da plataforma nacional dos cartórios.

Assista à sessão especial: