Uma sessão especial no Senado Federal celebrou os dois anos da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), iniciativa criada para facilitar e ampliar o registro de cidadãos interessados em se tornar doadores de órgãos no Brasil.
A solenidade foi presidida pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP) e reuniu representantes do Ministério da Saúde, cartórios, transplantados e atletas que passaram por transplantes.
Durante o evento, o presidente do Colégio Notarial do Brasil (CNB), Eduardo Calais, ressaltou o impacto social da ferramenta e os resultados alcançados desde sua criação.
“Hoje celebramos um avanço civilizatório, a possibilidade de transformar solidariedade em uma ação concreta, sem burocracia, sem custo e com alcance nacional”, declarou.
Calais lembrou ainda que a recusa familiar continua sendo um dos principais obstáculos para o aumento das doações no país.
“É um dos maiores desafios. Esse desafio passa pela informação, diálogo e conscientização”, disse.
Segundo ele, a AEDO já alcançou uma marca expressiva. São quase 30 mil formalizações de doações. Cada nova autorização pode significar uma vida salva.
Ao final, o presidente do CNB afirmou que “a união da tecnologia, da Justiça e da cidadania pode conduzir a um impacto social verdadeiro” e parabenizou os mais de oito mil cartórios brasileiros que participam da iniciativa.
A coordenadora nacional do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Patrícia Freire, destacou que a AEDO representa um avanço institucional importante para o país.
“A criação da AEDO representa um avanço importante para o país, porque traduz o compromisso das instituições com a doação de órgãos. É uma iniciativa do Ministério da Saúde, CNB e CNJ. Mais do que um documento, é uma declaração de solidariedade, é uma escolha generosa”, afirmou.
Represente da Associação Brasileira de Transplantados, Edson Arakaki chamou atenção para a longa fila de espera por transplantes no país.
“Apesar de o Brasil ser uma das grandes referências em transplantes no mundo, hoje mais de 78 mil pessoas estão na fila do transplante. A fila dura, em média, de dois a cinco anos de espera”, revelou. Na ocasião, ele incentivou a população a aderir à cultura da doação. “Convido todo mundo a se cadastrar para doar órgãos ou, para começar, doando sangue”, afirmou.
A sessão também contou com a participação de atletas transplantados. Um dos depoimentos foi o de Vanildo Dipicoli, transplantado há 16 anos.
“Graças ao transplante eu estou aqui”, declarou, reforçando a importância da conscientização e do diálogo familiar sobre a decisão de doar órgãos.
Ao encerrar a sessão, o senador Lucas Barreto destacou a relevância de ampliar o debate público sobre a doação de órgãos e fortalecer iniciativas que incentivem a manifestação prévia de vontade dos cidadãos. Também participaram da celebração, tabeliãs, parlamentares e outras autoridades.
Criada em parceria entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Colégio Notarial do Brasil, a AEDO permite que qualquer cidadão registre gratuitamente, de forma digital, o desejo de ser doador de órgãos por meio da plataforma nacional dos cartórios.
Assista à sessão especial:

