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Estudantes e professores vão às ruas contra cortes de Milei
Acadêmicos tomaram o centro de Buenos Aires em defesa da educação pública e ampliam pressão sobre o governo argentino
13/05/2026 11h17 Atualizada há 4 meses
Por: Eduardo Moura | direto de Buenos Aires

Milhares de estudantes, professores e trabalhadores universitários tomaram as ruas de Buenos Aires, nesta terça-feira (12), em um novo protesto contra os cortes promovidos pelo governo de Javier Milei nas universidades públicas argentinas.

A manifestação também foi registrada em outras cidades da Argentina como Córdoba, La Plata e Rosário. Já ao longo da Avenida de Mayo, uma das principais vias históricas do centro de Buenos Aires, professores davam aulas públicas no meio da rua. 

aula na rua em Buenos Aires

A nova Marcha Federal Universitária foi organizada por estudantes, sindicatos docentes e reitores. O principal pedido é que a Casa Rosada recomponha o orçamento das instituições públicas de ensino superior.

Universidades denunciam perda de verba, dificuldades de funcionamento e queda no poder de compra dos professores.

O governo Milei mantém o discurso de austeridade e afirma que o ajuste é necessário para controlar a inflação e equilibrar as contas públicas. Mas, nas ruas, cresce a percepção de que os cortes estão atingindo áreas consideradas históricas para os argentinos, como saúde, ciência e educação.

A universidade gratuita ocupa um espaço importante na identidade argentina. Durante décadas, foi vista como símbolo de ascensão social e oportunidade para a classe média. Talvez por isso os protestos tenham ganhado tanta força.

Argentinos durante protesto

Insatisfação generalizada

Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra.

O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo.

Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%.