Milhares de estudantes, professores e trabalhadores universitários tomaram as ruas de Buenos Aires, nesta terça-feira (12), em um novo protesto contra os cortes promovidos pelo governo de Javier Milei nas universidades públicas argentinas.
A manifestação também foi registrada em outras cidades da Argentina como Córdoba, La Plata e Rosário. Já ao longo da Avenida de Mayo, uma das principais vias históricas do centro de Buenos Aires, professores davam aulas públicas no meio da rua.
A nova Marcha Federal Universitária foi organizada por estudantes, sindicatos docentes e reitores. O principal pedido é que a Casa Rosada recomponha o orçamento das instituições públicas de ensino superior.
Universidades denunciam perda de verba, dificuldades de funcionamento e queda no poder de compra dos professores.
O governo Milei mantém o discurso de austeridade e afirma que o ajuste é necessário para controlar a inflação e equilibrar as contas públicas. Mas, nas ruas, cresce a percepção de que os cortes estão atingindo áreas consideradas históricas para os argentinos, como saúde, ciência e educação.
A universidade gratuita ocupa um espaço importante na identidade argentina. Durante décadas, foi vista como símbolo de ascensão social e oportunidade para a classe média. Talvez por isso os protestos tenham ganhado tanta força.
Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra.
O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo.
Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%.