Nesta quinta-feira (23), os jornalistas argentinos foram surpreendidos com o fechamento da sala de imprensa na Casa Rosada, sede do governo em Buenos Aires.
A decisão de barrar, ainda que temporariamente, o acesso de profissionais credenciados ao local marca um novo capítulo de tensão na relação entre o poder e a imprensa no país.
Além de fechar a sala, o governo da Argentina suspendeu mecanismos de identificação, como o registro por digitais e, na prática, bloqueou a entrada dos repórteres que cobrem diariamente o Executivo.
A justificativa do governo se baseia em investigações sobre suposta espionagem e vazamentos internos.
A gestão afirma que a restrição é preventiva e necessária até o esclarecimento dos fatos.
Não é a primeira vez que o acesso à Casa Rosada é limitado a jornalistas. No início do mês, profissionais de alguns veículos já haviam sido impedidos de entrar sob alegações semelhantes, o que gerou reação de entidades do setor e de representantes da oposição.
Em entrevsita ao portal Lead, a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) manifestou “máxima preocupação” com a decisão do governo e ressaltou que a medida “não encontra precedentes na vida democrática argentina”.
A entidade pede que a proibição seja revista com urgência em defesa do pleno exercício da liberdade de imprensa.
A deputada federal Mónica Frade, que compõe grupo de oposição a Milei, destacou que o acesso de jornalistas à Casa Rosada não foi restringido nem mesmo durante a ditadura militar.
“O fechamento do comitê de imprensa da Casa do governo em um país democrático é o pior símbolo possível da fragilidade da democracia argentina”, afirmou.
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