O consumo excessivo de alimentos industrializados, bebidas alcoólicas, o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer.
Em meio a esse cenário, o Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, reforça a importância da conscientização e dos cuidados com a saúde.
Os números evidenciam a dimensão do desafio e reforçam a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento em todo o país.
Para o oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Márcio Almeida, o momento exige ações imediatas.
“O câncer segue avançando, mas o que mais preocupa é que muitos casos ainda chegam tarde demais. Quando o diagnóstico é precoce, o jogo muda completamente: aumentam as chances de cura, os tratamentos são menos agressivos e o impacto na vida do paciente é muito menor. O atraso no diagnóstico custa vidas e isso precisa ser dito com clareza”, afirma.
O especialista reforça que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz.
“Manter hábitos saudáveis, realizar exames de rotina e estar atento aos sinais do corpo são atitudes fundamentais. O diagnóstico precoce salva vidas e reduz significativamente a necessidade de tratamentos mais agressivos”, completa.
O ano de 2025 foi marcado por avanços importantes no combate ao câncer, especialmente com a ampliação da imunoterapia, o desenvolvimento de terapias-alvo mais precisas e a incorporação de novas tecnologias no diagnóstico.
Entre os principais progressos estão medicamentos capazes de “ensinar” o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais, além de tratamentos personalizados baseados no perfil genético do paciente.
“Essas abordagens têm proporcionado melhores resultados, com menos efeitos colaterais em comparação aos métodos tradicionais”, ressalta o médico.
Outro destaque é o uso crescente da inteligência artificial na medicina, contribuindo para diagnósticos mais rápidos e assertivos, especialmente em exames de imagem. A detecção precoce, aliada à tecnologia, tem ampliado as chances de sucesso terapêutico.
A relação entre estilo de vida e o desenvolvimento do câncer é cada vez mais evidente. Segundo o INCA, cerca de 30% dos casos poderiam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis.
Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, carnes processadas e com baixo consumo de frutas, verduras e fibras aumentam o risco para diversos tipos de câncer, especialmente os do trato gastrointestinal, como cólon e estômago.
Por outro lado, uma alimentação equilibrada, baseada em alimentos in natura, aliada à prática regular de atividade física, contribui diretamente para a prevenção.
O tabagismo, isoladamente, é responsável por cerca de 30% das mortes por câncer, enquanto o consumo de álcool também está associado a diferentes tipos da doença, como fígado, mama e esôfago.
• Priorize alimentos naturais e evite ultraprocessados
• Pratique pelo menos 150 minutos de atividade física por semana
• Não fume e evite exposição ao tabaco
• Limite o consumo de bebidas alcoólicas
• Mantenha o peso corporal adequado
• Realize exames preventivos regularmente
Pequenas mudanças, quando mantidas ao longo do tempo, têm impacto direto na redução do risco de desenvolver câncer.
“A maior parte das pessoas ainda subestima o impacto do estilo de vida. Não estamos falando de detalhe, estamos falando de risco real. Prevenção não é opcional, é uma necessidade. Se não houver mudança de comportamento em larga escala, continuaremos enxugando gelo no tratamento da doença. Em todo o país, o enfrentamento ao câncer passa não apenas pelos avanços da medicina, mas também pelo compromisso coletivo com a saúde”, conclui Márcio Almeida.
Siga @leadnotícia